O mercado brasileiro de insumos biológicos para a agricultura vem ampliando sua presença no tratamento de sementes, com produtos que se posicionam como alternativa aos defensivos químicos em situações específicas. Levantamento conduzido por Gabriel Medina, professor da Universidade de Brasília, aponta que Fungicidas biológicos desenvolvidos para tratamento de sementes e tratamento industrial de sementes já apresentam diferenciais tecnológicos relevantes.
Entre os principais aspectos observados estão formulações à base de fungos e bactérias, além do uso de cepas exclusivas isoladas pelas próprias empresas ou em parceria com instituições públicas de pesquisa. Esses microrganismos atuam por diferentes mecanismos, como o parasitismo, no caso dos fungos, e a formação de biofilme nas raízes pelas bactérias, entre outros processos.
O estudo também identificou variações no número de alvos registrados nas bulas, que podem ser atualizadas ao longo do tempo. Há produtos com efeitos comprovados para até nove alvos, incluindo fungos e nematoides. Entre os principais problemas combatidos estão o tombamento e a fusariose, com diferenças de posicionamento conforme a estratégia de cada empresa.
As formulações analisadas incluem tecnologias como adição de grafite, óleo para proteção de conídios e metabólitos secundários com efeito antifúngico. Alguns produtos são apresentados como substitutos de químicos no tratamento de sementes, como ocorre com o EficazControl, da Simbiose. Outro ponto de atenção é o tempo de prateleira, que varia de forma significativa entre as soluções disponíveis.
O levantamento foi elaborado com base na análise de bulas, materiais de divulgação e entrevistas com especialistas das empresas envolvidas. A próxima etapa da pesquisa deverá abordar o segmento de bioinseticidas, ampliando o mapeamento do mercado de biológicos no país. O estudo contou ainda com a colaboração de formandos em agronomia da UnB.










