A produção de hortaliças em ambientes urbanos tem avançado com soluções que combinam eficiência produtiva e redução de impactos ambientais. Segundo Albertina Wieth, engenheira agrônoma, um sistema hidropônico experimental demonstrou ser capaz de produzir alface com forte redução das emissões de carbono ao integrar energia solar e reúso de água. O modelo foi avaliado em estudo recente que analisou uma estrutura hidropônica alimentada por energia 100% renovável e irrigada com água cinza tratada, oriunda de pias, chuveiros e cozinhas.
Os resultados indicaram redução de 94% nas emissões de CO₂ em comparação a sistemas convencionais, além de eficiência energética 2,4 vezes superior. A produtividade foi mantida, com cabeças de alface atingindo 682 gramas, sem perdas na qualidade nutricional. O investimento estimado para implantação variou entre R$ 2.500 e R$ 3.500, com retorno projetado entre dois e três anos.
O funcionamento ocorre em ciclo fechado. Painéis solares de 100 watts alimentam uma bateria de 12 volts responsável pela operação das bombas de circulação de nutrientes no sistema NFT. A água cinza passa por processos de filtragem e esterilização por luz ultravioleta antes de ser reutilizada na irrigação, garantindo segurança sanitária e redução do consumo hídrico.
A instalação foi realizada em um telhado urbano, evidenciando o potencial de aproveitamento de áreas subutilizadas nas cidades para a produção de alimentos. A proposta se insere em uma lógica de economia circular, ao transformar resíduos em insumos produtivos, e aponta ganhos econômicos para pequenos produtores, com redução de até 60% nos custos de energia. Em escala urbana, o modelo contribui para a diminuição da pegada de carbono associada ao transporte de alimentos e reforça estratégias de segurança alimentar e adaptação climática.










