O debate sobre o ritmo de uso de fertilizantes no Brasil ganha força com a aproximação do novo ciclo agrícola, em meio a um cenário de custos mais elevados dos insumos. Segundo Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, as primeiras semanas de 2026 já trouxeram discussões recorrentes sobre uma possível redução nas entregas de NPK ao longo da safra 2026/27.
A avaliação se baseia em observações feitas durante visitas recentes a importantes regiões produtoras do Centro-Oeste, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Nessas localidades, o tema foi amplamente discutido por agentes do setor, com atenção especial ao comportamento dos produtores diante do encarecimento dos fertilizantes.
De acordo com a análise apresentada, a maior parte das preocupações está concentrada em um nutriente específico, o fósforo. Historicamente, quando ocorre um aumento repentino nos preços dos insumos agrícolas, a primeira alternativa considerada pelo produtor é a redução de uso, estratégia que volta ao centro do debate no momento atual. Esse movimento tem sido observado de forma consistente nas conversas ao longo das viagens realizadas no início do ano.
Os reajustes acumulados nos preços do fósforo ao longo dos últimos dois anos intensificaram questionamentos sobre a real necessidade de aplicação nos níveis tradicionalmente utilizados. A discussão passou a envolver também as reservas desse nutriente nos solos brasileiros, levando parte do mercado a avaliar se há margem para ajustes sem comprometer o desempenho das lavouras. Esse contexto sustenta a percepção de que 2026 pode marcar um período de revisão nas estratégias de adubação, com impacto direto nas entregas de NPK.









