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sábado, 11 de julho de 2026

Demarcações causam desvalorização de imóveis na região

2009-08-14 20:28:00


Antonio Luiz

Se enganam aqueles que pensam que as portarias da FUNAI determinando demarcações em 26 municípios do Mato Grosso do Sul, trazem apenas temores e instabilidade. O prejuízo causado pelo simples anúncio do absurdo foi brutal e começa pela paralisação dos negócios imobiliários e a consequente desvalorização de toda a área atingida. O raciocínio vale tanto para imóveis rurais como para  os urbanos. A não ser as exceções de praxe, as imobiliárias estão praticamente paradas, pois, ou os valores pedidos estão bem acima da realidade ou os possíveis compradores fogem desses problemas, “como o diabo da cruz”.

O mais irônico dessa situação é que as portarias serviram até agora, e provavelmente para sempre, para causar indignação e prejuízo à população. A Justiça vem bloqueando sistematicamente a entrada de funcionários da FUNAI nas propriedades, ou seja, os burocratas acomodados em seus gabinetes refrigerados de Brasília, sem terem coisa melhor para fazer, querem destruir o que levou-se anos para atingir.

Outro fator decisivo na queda dos negócios imobiliários na cidade, foi a sequência de frustração de safras, principalmente da soja, em virtude da estiagem que insistiu em aparecer por cinco dos últimos sete anos. Com isso, o dinheiro circulou menos, pois, além das exportações terem sido menores, muitos produtores ficaram devendo nas instituições financeiras. Isso talvez explique, em parte, o parágrafo seguinte.

Na zona urbana de Amambai, há um número bastante elevado de residências e terrenos à venda. O problema é que, aparentemente, não há um critério para avaliação desses imóveis. Não é levado em conta, a qualidade da construção, o tamanho da área construída, do terreno, os anos do imóvel, a localização, se a rua é asfaltada, se é servida pela linha de esgotos e até a vizinhança. O que vale mesmo é quanto o proprietário acha que vale. E quase sempre ele supervaloriza seu imóvel. 

O experiente corretor Marçal Muzzi costuma avaliar os imóveis usando critérios técnicos, porém, admite que alguns proprietários não levam esses pontos em consideração.Uma das peculiaridades de Amambai é que acontecem muitas vendas em permutas ou a prazo, e poucas são as vendas à vista. Isso acontece quando o proprietário coloca seu imóvel com o valor real de mercado. Apesar da visível queda nas vendas de casas e terrenos, paradoxalmente é possível encontrar uma enorme quantidade de residências recém-construídas. Outra dificuldade apurada pela reportagem é que a maioria dos imóveis não são regularizados, o que dificulta a venda pelo Sistema Financeiro Habitacional.

Segundo Muzzi, mesmo com esses problemas, comparando com outros municípios, o mercado imobiliário de Amambai tem atraído alguns investidores.

A Imobiliária Mapa, especializada em imóvel rural, tem em seu acervo quase mil propriedades à venda, sendo que apenas aproximadamente 50 na região atingida pelas Portarias da FUNAI. Tal discrepância se dá exatamente pela pouca procura por esses imóveis, já que há poucos interessados em arriscar investir em zona de litígio, o que consequentemente acarreta na desvalorização do imóvel.

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