Já passou o tempo em que o videogame era tratado como algo masculino. A presença feminina nos esportes eletrônicos cresce em ritmo acelerado, acompanhando o desenvolvimento global do setor e a consolidação dos eSports como uma das indústrias mais influentes do entretenimento digital.
Hoje, mulheres se destacam como jogadoras, narradoras, criadoras de conteúdo e líderes de equipes, ainda que enfrentem desafios estruturais. E, enquanto o mercado cresce — em audiência, engajamento e até em áreas paralelas como plataformas de bônus em apostas, que se alimentam do boom competitivo — surge também um debate urgente sobre inclusão, segurança e igualdade de oportunidades. Jogue com responsabilidade.
O que são eSports e como esse fenômeno cresceu
Os eSports consistem em competições profissionais ou amadoras de jogos eletrônicos. Podem ser acompanhados em arenas, transmissões online ou na TV, reunindo um público global impressionante em plataformas como a Twitch e o YouTube.
A Ásia lidera o consumo, concentrando mais de 50% da audiência mundial. A América Latina, porém, vive uma expansão acelerada, impulsionada pela pandemia, quando o isolamento levou milhões a jogar ou acompanhar transmissões.
No Brasil, os números são bem animadores. De acordo com os dados da consultoria Newzoo, o nosso país está entre os cinco maiores mercados do mundo em número de jogadores e figura no top 10 global em receitas com jogos, tendo movimentado US$ 2,7 bilhões no setor de games em 2022.
Origem dos eSports
Criados nos anos 1970, nos Estados Unidos, os eSports nasceram entre universitários. Na década de 1980, já reuniam milhares de jogadores, e nos anos 1990 e 2000, a internet acelerou o processo — culminando em mais de 150 torneios apenas em 2010
No Brasil, as lan houses desempenharam papel fundamental. A oferta de computadores potentes e internet de alta velocidade criou um ambiente fértil para o surgimento de equipes, campeonatos e até carreiras profissionais, fenômeno que hoje sustenta uma indústria lucrativa e globalmente integrada.
Crescimento da presença feminina nos eSports
Segundo a Games Brasil, as mulheres já eram maioria entre os jogadores de videogame em 2019. Apesar disso, elas permanecem sendo minoria no cenário profissional. Ainda assim, a participação feminina cresce em competições, na criação de conteúdo e na liderança de projetos – reflexo de maior interesse, acesso e mudança cultural.
Ao lado das atletas, multiplicam-se narradoras (casters), treinadoras, analistas, produtoras, desenvolvedoras e integrantes de comissões técnicas. Essa presença reforça diversidade e amplia a visão sobre quem pode compor o ecossistema competitivo.
Barreiras persistentes: sexismo, assédio e estereótipos de gênero
O cenário, porém, ainda é bastante desafiador para as jogadoras. Mulheres dos eSports frequentemente relatam episódios recorrentes de assédio, xingamentos e descrédito sobre sua habilidade.
Essa ‘toxicidade’ do ambiente dos jogos, amplamente discutida por pesquisadoras e jogadoras profissionais, afasta talentos e cria obstáculos emocionais e psicológicos.
Mesmo quando alcançam níveis de elite, as mulheres enfrentam questionamentos sobre competência e legitimidade, situação semelhante à que ocorre em modalidades esportivas tradicionais.
Estratégias de resistência, apoio e afirmação feminina
A presença feminina redefine a percepção sobre quem pertence ao universo gamer. Rompe-se o mito de que o cenário é exclusivamente masculino, abrindo portas para a diversidade racial, social e de gênero.
Confira abaixo algumas sugestões para melhorar o ambiente dos eSports para as mulheres.
Comunidades, ligas e torneios exclusivos
Para combater a hostilidade, surgiram ligas femininas, torneios exclusivos e coletivos dedicados a oferecer segurança e visibilidade. Essas iniciativas não segregam: fortalecem, qualificam e preparam jogadoras para competir em pé de igualdade no cenário misto.
Role models e redes de suporte
Jogadoras profissionais, streamers influentes e criadoras de conteúdo atuam como modelos para meninas que desejam ingressar no setor. A solidariedade entre mulheres e iniciativas de acolhimento tornam o ambiente mais inclusivo.
O impacto social e a importância da representatividade
Os avanços apontam para um futuro em que mulheres ocuparão cada vez mais espaços de destaque. Para isso, educação digital, políticas de moderação, incentivo de marcas e ações de comunidades serão essenciais — assim como a ampliação de oportunidades em setores correlatos, incluindo plataformas de conteúdo, equipes profissionais e até em campanhas publicitárias.
Os eSports continuam a se transformar e devem se tornar palco para vitórias de muitas mulheres em jogos competitivos. Por causa desse avanço cultural e social, já podemos acreditar em um futuro mais diverso e democrático no esporte eletrônico. Tudo graças à audácia das jogadoras que ousaram enfrentar o machismo e os desafios de seus jogos favoritos.
Fonte: Assessoria





