A eficiência da inseminação artificial pode variar de forma significativa entre rebanhos, mesmo quando são adotados protocolos adequados e bom manejo. O tema é analisado em artigo de Ériklis Nogueira, doutor em Ciências Veterinárias e pesquisador em Reprodução Animal da Embrapa Gado de Corte, que aponta a fertilidade do sêmen como um dos principais fatores por trás dessas diferenças de resultado.
A fertilidade está relacionada à capacidade do material genético gerar prenhez e produzir bezerros, sendo observada principalmente pela taxa de prenhez e pelas perdas gestacionais. Nos rebanhos brasileiros que utilizam inseminação artificial em tempo fixo, a taxa média de prenhez fica em torno de 50%, podendo cair para cerca de 40% em situações de menor fertilidade. Já a escolha de touros mais férteis, associada a manejo nutricional e sanitário adequado, permite alcançar índices entre 60% e 65%, com impacto direto na eficiência e na rentabilidade do sistema.
As perdas gestacionais, estimadas em torno de 7%, também interferem nos resultados, especialmente em novilhas. Estudos com bases de dados coletadas a campo mostram diferenças consistentes de fertilidade entre touros, reforçando a importância desse critério na escolha do sêmen. A adoção dessa estratégia traz ganhos imediatos na prenhez e contribui, ao longo do tempo, para o avanço genético e produtivo da pecuária.
“Na prática, essas decisões devem estar associadas a bom manejo nutricional, sanitário e reprodutivo. Nas últimas décadas, a inseminação artificial se consolidou como uma das formas mais eficientes de aumentar a produtividade da pecuária brasileira, impulsionada pelo avanço das pesquisas, tecnologia e investimentos dos pecuaristas, com apoio de entidades como a ASBIA (Associação Brasileira de Inseminação Artificial). A experiência no campo mostra que dificilmente uma fazenda que adota a inseminação artificial volta atrás. É nessa direção que temos de caminhar para contribuir para o contínuo avanço produtivo da atividade”, conclui.





