A adoção de salvaguardas pela China sobre a carne bovina importada eleva o grau de incerteza para o setor exportador brasileiro e reforça a necessidade de ampliar mercados de destino. De acordo com análise do Itaú BBA, as tarifas podem chegar a 67% para volumes que ultrapassem 1,1 milhão de toneladas, em um contexto de forte concentração das vendas externas. Em 2025, a China respondeu por cerca de 1,7 milhão de toneladas embarcadas pelo Brasil, o que evidencia a dependência do mercado asiático.
A redistribuição desses volumes é considerada complexa, já que o segundo principal destino, os Estados Unidos, absorveu pouco mais de 200 mil toneladas de carne bovina in natura no último ano. Ainda assim, o ambiente internacional é marcado por escassez da proteína, fator que tende a reduzir parte dos efeitos negativos de uma eventual retração chinesa. A avaliação é de que a menor disponibilidade global ajuda a sustentar a demanda, mesmo diante de ajustes nos fluxos comerciais.
Para 2026, a projeção é de queda próxima de 2% na produção brasileira de carne bovina, o que representaria uma redução de cerca de 200 mil toneladas na oferta. Esse volume equivale a aproximadamente um terço do excedente que poderia surgir caso as compras chinesas se repitam no mesmo patamar de 2025. A menor produção interna, portanto, atua como elemento de equilíbrio para o mercado.
Na América do Sul, Argentina e Uruguai receberam cotas superiores aos volumes efetivamente exportados em 2025, abrindo espaço para uma reorganização regional. Nesse cenário, o Brasil pode ampliar o fornecimento a países vizinhos e, ao mesmo tempo, direcionar parte da produção ao mercado chinês. Há também possibilidade de aumento das exportações aos Estados Unidos, em função do crescimento do déficit local.





