2009-07-12 13:10:00
As investigações feitas pela Policia Federal apontam que a família Uemura usava de várias estratégias para conseguir a ajuda de agentes públicos para obter vantagens financeiras nos negócios nas áreas de saúde e de serviços funerários.
As investigações sobre a atuação da família Uemura frente à organização criminosa levaram dois anos até a prisão dos acusados. As escutas telefônicas feias pela Polícia Federal ajudaram a desvendar o esquema de fraude em licitações.
Numa das escutas, o presidente do Conselho Municipal de Saúde de Dourados, Wilson César Medeiros, acerta a compra de um carro com Eduardo Uemura, filho do chefe do grupo criminoso, Sizuo Uemura.
A negociação foi gravada em setembro de 2007, quando a família Uemura tentava arrendar um hospital para a prefeitura. Mas para isso precisava da aprovação do Conselho:
Wilson: A gente poderia conversar amanhã cedo, pode ser?
Dinho (Eduardo Uemura): Pode.
Wilson: É que eu tava pensando no seguinte…o… eu precisava tirar o carro antes de assinar qualquer coisa lá, cê entendeu?
Dinho: Ha, mas, tem prazo de 20 dias, né Wilson?
Wilson: Não… eu entendo, mas, é pra eu dar o encaminhamento, pra não ficar parecendo, porque senão o pessoal já….
Dinho: Ha, ha… fica frio. Amanhã a gente conversa, tá?
Wilson: Tá bom.
Poucos dias depois, Eduardo Uemura liga para um funcionário da concessionária da família, chamado Fernando, para definir o carro que seria liberado para o presidente do Conselho Municipal de Saúde?
Dudu: Sabe aquele wilson?
Fernando: wilson?
Dudu: Aquele baixinho.
Fernando: ah… sei!
Dudu: É, aquele lá, ele quer comprar um carro, não quer esperar outro. Vamu ver esse carro aí pra ele, baratinho. Barato, não. Assim, que carro que tá encalhado?
Fernando: (…) Na verdade é o seguinte, Ó. O que eu pude perceber é que ele não quer um carro barato cara..aí vou ter que financiar em nome de quem este carro, Dudu?
Dudu: Não! É em nome dele!
Emprego para irmão
Em outra ligação interceptada pela Polícia Federal com autorização da Justiça, fica clara a influência política do grupo.
A conversa é entre Eduardo Uemura e um vereador de Naviraí, José Odar Gallo. Eles falam sobre a concorrência para a implantação de um cemitério na cidade. Como contrapartida para ajudar o grupo a vencer a licitação, Gallo pede um emprego para o irmão dele em uma das empresas da família Uemura.
Monitorando as ações da família Uemura, a polícia descobriu que para conquistar o apoio de políticos e servidores, a propina raramente era paga em dinheiro. Na maioria das vezes a recompensa pelos serviços era feita por meio de financiamento de veículos, pagamento de viagens, contratação de funcionários nas empresas do grupo, presentes e doação de serviços funerários.










