2009-07-08 01:00:00
Vilson Nascimento
Por contra da legislação brasileira que só prevê a abertura de processo contra o autor mediante representação legal da mãe, do pai ou da pessoa que tenha a guarda do menor em casos dessa natureza, um homem acusado de abusar sexualmente da enteada de 16 anos, vai ficar impune em Amambai.
O caso chegou ao conhecimento da Polícia Civil local na última sexta-feira (3) trazido pela própria jovem, supostamente molestada e por uma tia da garota.
De acordo com o delegado titular de Polícia Civil de Amambai, Dr. Marcius Geraldo Santos Cordeiro, a adolescente se mostrava bastante abalada e teria relatado que sofria abusos sexuais do padrasto desde os 10 anos de idade, mas só não havia denunciado antes por conta das pressões que sofria por parte do agressor.
A jovem foi encaminhada para a realização de exame de corpo e delito onde teria ficado comprovado que havia ruptura antiga do hímem e submetido a avaliação psicológica, também teria ficado constatado, segundo o delegado, que a adolescente apresentava sintomas traumáticos, supostamente provocados pelas violências sofridas.
Diante da situação, no mesmo dia que recebeu a denúncia, uma equipe da Polícia Civil de Amambai tentou localizar e reter o acusado para prestar esclarecimentos, mas ele já havia fugido da cidade, segundo as informações, para o território paraguaio.
Mãe se negou a representar
Toda a coragem da jovem em procurar a polícia para dar um basta na violência que supostamente sofria e o trabalho realizado pela polícia para colher provas materiais contra o acusado foram por água a baixo quando a mãe da vítima compareceu por três vezes na Delegacia em Amambai e em todas elas relatou que não iria representar contra o marido.
Segundo a polícia a mulher alega que se representar contra o homem acusado de violentar sua própria filha ele iria para a cadeia e não haveria ninguém para sustentar a casa.
Diante da situação, com as mãos atadas por conta da legislação, tanto a polícia como o Ministério Público da Infância e da Juventude ficaram sem ação e foram obrigados a arquivar o processo.
Com isso o suposto agressor poderá retornar para casa, para seu trabalho e seguir sua vida normalmente, como se nada tivesse acontecido.











