2009-06-09 15:15:00
Às vésperas da divulgação do Plano Safra 2009/2010, as cooperativas agrícolas já preveem uma redução de aproximadamente 8% no faturamento este ano e buscam alternativas para conseguir crédito.
Márcio Freitas, presidente da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), já dá como certa a aprovação do Procap-Agro (Programa de Capitalização das Cooperativas Agropecuárias) pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).
A decisão deve ser tomada entre os dias 10 e 15 de junho, quando acontecem as próximas reuniões do órgão do Ministério da Fazenda.
A nova linha de crédito prevê a equalização de R$ 2 bilhões à taxa de juros de 6,75% ao ano, com prazo para pagamento de até seis anos sendo dois anos de carência.
"As cooperativas foram descapitalizadas ao longo do tempo, bancando o espaço das tradings que saíram do mercado.
Os recursos não chegarão a tempo de custear a próxima safra, mas poderão ser utilizados pelos cooperados ou mediante repasse pelas cooperativas, como capital de giro e na comercialização", disse, Evandro Ninaut, gerente de Mercados da OCB.
Segundo Márcio Lopes de Freitas, presidente da mesma entidade, a OCB tem certeza que a linha será aprovada, a preocupação agora seria em como garantir o acesso diante do cenário de crise já que os principais interessados estão com a balança contaminada.
"No Mato Grosso, cinco cerealistas que quebraram esse ano operavam juntos mais que o dobro da Cooagri (Cooperativa Agropecuária e Industrial), apesar de ela ter tido um destaque maior pelo número de associados", disse Freitas, ilustrando a situação do setor. Ele comenta ainda sobre o fechamento de três armazéns gerais só na região de Franca, no Estado de São Paulo.
Proposta
Para mudar o panorama da crise, a OCB poderá utilizar parte do seu crédito tributário de PIS/Cofins, no valor de R$ 4 bilhões, como depósito no Fundo Garantidor de Crédito.
O projeto original do Fundo, elaborado pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) junto com o Banco do Brasil, caso aprovado contará com recursos da ordem de R$ 7 bilhões a R$ 10 bilhões que seriam provenientes do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social) e ou do Tesouro Nacional.
A medida também tem como objetivo reduzir a dependência das tradings que, com o agravamento da crise, deixaram de financiar grande parte dos produtores. "As cooperativas tiveram que assumir o financiamento na marra", afirmou Freitas.
"As tradings nos deixaram na mão. Agora com o dólar abaixo de R$ 2 elas estão querendo voltar, mas quem quer esse risco hoje?", indaga o presidente da OCB.
Expansão do crédito
O Banco do Brasil, principal agente financeiro no repasse do crédito rural, pretende aumentar em 30% os recursos para a safra 2009/2010, totalizando cerca de R$ 32 bilhões, de acordo com Luís Carlos Guedes Pinto, vice-presidente de agronegócios do BB. Na temporada 2008/2009, até abril deste ano, já haviam sido aplicados R$ 24,9 bilhões.
"Já ampliamos os recursos aos agricultores em quase 30% na safra 2008/2009 e pretendemos ampliar em mais 30% os recursos para a próxima safra, mesmo com todos os problemas de restrição de crédito", disse Guedes Pinto.
O ex-ministro da Agricultura destacou que a disponibilidade de crédito está muito aquém da necessidade de setor e que o Banco irá trabalhar no limite das suas possibilidades, usando os recursos dos depósitos à vista, da poupança rural e dos repasses do BNDES e dos fundos constitucionais.
De acordo com números apresentados por Guedes Pinto à lideranças do agronegócio durante seminário na SRB (Sociedade Rural Brasileira), a carteira de crédito do BB teve uma grande elevação de recursos prorrogados nos últimos cinco anos.
Enquanto em 2003 apenas 3% dos recursos da carteira do Banco foram prorrogados, em março deste ano a carteira de crédito rural do Banco do Brasil somava 22,6% dos recursos prorrogados.
Nesse período a provisão que o BB precisou fazer cresceu 932%, passando de R$ 493 milhões em 2003 para R$ 5,08 bilhões até março.
Em cinco anos a carteira do Banco cresceu 137%, subindo de R$ 26,8 bilhões para R$ 63,4 bilhões, ou seja, o risco do agronegócio para o BB aumentou mais do que a própria carteira.










