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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Mais de 40 lideranças indígenas se reúnem amanhã em Juti

2009-06-03 20:23:00

Uma “Aty Guasu”, ou “Grande Reunião”, como os Guaranis e Kaiowás chamam os conselhos de lideranças realizados do Conesul do Mato Grosso do Sul está previsto para amanhã e para sexta-feira (05) em Juti. A reunião está sendo considerada como uma das mais importantes dos últimos anos, uma vez que dela sairão as decisões que nortearão ações governamentais de assistência aos povos indígenas e também o norteamento das políticas indigenistas da Funai, inclusive com possíveis mudanças na parte administrativa do órgão.

São esperadas mais de 40 lideranças da região sul do Mato Grosso do Sul e estima-se que 400 pessoas deverão tomar parte da assembléia. Os estudos antropológicos, parados no Estado serão apenas um dos assuntos tratados na reunião. Há reivindicações também de assistência da Funai para o desenvolvimento da agricultura com o uso de tratores, o que não estaria acontecendo e até pedidos para trocas de chefias no órgão indigenista.

São esperadas lideranças de Iguatemi, Japorã, Sete Quedas, Paranhos, Aral Moreira, Laguna Caarapã, Coronel Sapucaia, Eldorado, Amambaí, Antônio João, Ponta Porã, Douradina, Rio Brilhante, Maracaju e Dourados.

Os Guarani/Kaiowá têm por tradição reunir seus líderes e abrir espaço para que porta-vozes de extensos grupos familiares e de aldeias inteiras, caso seja do costume do grupo. À esses porta-vozes são delegados “poderes” para articularem políticas junto à instituições comandadas por não índios, como a Funai e o Ministério Público Federal – MPF, que tem marcado presença nas últimas reuniões.

Violência na Reserva

Seis desses porta-vozes ou caciques dos Guarani e Kaiowás estiveram hoje pela manhã no Dourados News e comentaram o estudos do Conselho Indigenista Missionário – Cimi, que mostraram que foram altos os índices de violência na Reserva Indígena de Dourados, principalmente entre os próprios indígenas.

Segundo esse estudo, dos 60 assassinatos de indígenas ocorridos no Brasil inteiro em 2008, 42 vítimas eram Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul, na maioria deles, os autores eram os próprios indígenas.

Em 2003 foram 13 assassinatos no Mato Grosso do Sul, em 2004 foram 16, em 2005 foram 28, mesmo número de 2006. Em 2007foram 53 e no ano passado 42, o que representou 70% de todos os assassinatos de indígenas no Brasil. Nesse número, a maioria dos casos foi de assassinato entre os próprios indígenas, por desentendimentos ou vingança. A entrada de álcool nas Reservas, o que é proibido por lei, contribui para o aumento da violência.

O cacique Getúlio de Oliveira informou que os números realmente assustam e que a comunidade vive insegura, pois, segundo ele, a entrada de álcool e de drogas na Reserva vem acontecendo. “Vem a influência de fora e incentiva os índios a fazerem isso aí. Faz uns quatro meses, fizemos uma parceria com a polícia e o Ministério Público e foi muito bom, porque reduziu bastante a violência. Queremos isso aí de novo”, explica ele.

Os líderes contaram ainda, que protocolaram no MPF, um pedido para que a Polícia Militar possa atuar dentro da Reserva, porém, os policiais não seriam policiais comuns, pois, passariam por um treinamento especial, com o conhecimento de cultura indígena, noções de antropologia e outros treinamentos que os capacitassem a atuar especificamente dentro da Reserva para coibir o tráfico tanto de bebidas, como de droga.

Segundo o Guarani, Laurentino Rodrigues, há lideranças que ficam impedidas de reclamar, porque caso contrário os traficantes ameaçam matar. Os líderes Kaiowás, Sebastião Arce, Ivo Porto, José Nunes e o Guarani Rosalino Ortiz, acreditam que com a polícia atuando dentro da Reserva, a violência diminuiria bastante, já que, segundo eles as pessoas de fora que estão trazendo “as coisas ruins e viciando os jovens”.

Os líderes comentaram ainda que estão na expectativa da municipalização dos serviços prestados hoje pela Funasa e que o assunto, segundo fontes deles de Brasília está tendo uma boa “recepção” na capital da República.

Organização diferente

É comum ver em filmes de televisão índios que seguem à um único cacique, que os governa como um monarca, porém, na cultura indígena dos Guarani e Kaiowás é diferente, pois cada grupo familiar ou comunidade de vizinhos, se agrega em torno de um patriarca, que falará em nome daquele grupo de pessoas.

Esses líderes por sua vez, se juntam em assembléias ou conselhos e tomam as decisões. É como se na cultura não índia, cada família escolhesse alguém para representá-la junto à associação de moradores e depois, várias associações de moradores se juntassem e fossem até o prefeito reivindicar seus direitos, assim é uma Aty Guassu.

No Mato Grosso do Sul, estima-se que os Guarani e Kaiowás representem aproximadamente 35 mil habitantes, 12 mil somente em Dourados.

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