2009-05-10 18:08:00
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega paraguaio, Fernando Lugo, não conseguiram superar as divergências em torno da usina hidrelétrica de Itaipu, terminando o encontro sem acordo.
Os dois líderes anunciaram, no entanto, que as conversas "continuam" e que, em junho, deverão anunciar um acordo "definitivo" sobre o assunto.
"O Paraguai não renunciou a nenhuma de suas reivindicações", disse Lugo nesta sexta-feira, pouco antes de embarcar com o presidente Lula para Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
Lula e Lugo conversaram por duas horas ontem, primeiro acompanhados apenas dos chanceleres e depois, com a presença de ministros e técnicos.
De acordo com fontes do governo brasileiro, a reunião teria sido "dura", com o governo paraguaio adotando uma postura "irredutível".
O Paraguai insiste em vender livremente a energia a que tem direito, enquanto o governo brasileiro alega que a regra está clara no tratado – e que, para mudar o documento, seria necessária a aprovação do Congresso Nacional.
Lula e Lugo pretendem se reunir entre 10 e 15 de junho, quando terão, segundo eles, um "pacote completo" de um acordo, que incluirá não apenas as questões relativas a Itaipu, como também outros projetos ainda em aberto entre os dois países.
"Detectamos pontos onde temos que avançar", disse Lula.
Criada em 1973, a usina de Itaipu pertence aos dois países. No entanto, o Paraguai quer mudanças nas condições do acordo, sobretudo no que diz respeito ao valor que o Brasil paga ao país vizinho pela energia.
O Brasil chegou a sinalizar com uma oferta de reajuste no valor pago, o que resultaria em um adicional de US$ 200 milhões à receita anual do Paraguai com a usina. Além disso, ofereceu linhas de financiamento do BNDES para obras de infraestrutura, no valor de US$ 1,5 bilhão.
As ofertas brasileiras, no entanto, já haviam sido recusadas durante as negociações entre técnicos dos dois governos.
O Paraguai levantou, inclusive, a possibilidade de acionar uma arbitragem internacional, mas o governo brasileiro considera "pouco provável" que isso aconteça, e aposta agora em um acordo até o próximo encontro, em junho. Até lá, as negociações serão feitas por ministros e técnicos dos dois lados.
Solidariedade- Mesmo com o impasse, os dois presidentes disseram apostar em "melhores relações" entre Brasil e Paraguai.
"Creio que a solidariedade entre os países está melhorando", disse Lugo. "Temos abordado quase todos os assuntos com o presidente Lula, de forma aberta", acrescentou.
Já o presidente Lula frisou a importância do desenvolvimento regional. Segundo ele, o Brasil não pode ser "uma ilha de prosperidade no continente".
"Todos vocês sabem da preferência do Brasil em fortalecer nossas relações com os países do Mercosul, e dentro do Mercosul de ajudar os países com maior carência econômica", disse Lula.











