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domingo, 28 de junho de 2026

Coluna Periscópio “Ordem e Progresso” – por Antonio Luiz

2009-02-07 12:20:00

“Ordem e Progresso”

A bandeira brasileira ostenta a inscrição “Ordem e Progresso” que enche de orgulho a imensa maioria dos nossos patrícios. Mas acho que esse lema é uma deslavada mentira, em se tratando de Brasil. Talvez fosse mais coerente e indicado que nossos políticos “roubassem” a simples e verdadeira palavra que consta da bandeira do estado da Paraíba: “NEGO”. Estaria mais de acordo com o caráter do nosso povo, especialmente daqueles safados que frequentam o Congresso Nacional, em nome e representando a massa de eleitores desinformada que se constitui em mais de noventa por cento das pessoas com direito a voto aqui na República da Banânia.

“Ordem” é uma coisa que nós brasileiros ouvimos falar vagamente, que acontece naqueles países gelados do Hemisfério Norte. É uma coisa abstrata, portanto, com o nosso nível educacional, desconhecemos. “Progresso” até que temos algum. Especialmente nas áreas futebolística, musical e em algumas descobertas ou invenções criadas por algum geniozinho nativo – na verdade, nem conseguimos que o planeta reconheça a invenção do avião por um brasileiro.

Se eu fosse deputado ou senador (toc, toc, toc) entraria com um projeto de lei que mudasse o lema da nossa bandeira.

Aliás, ali no próprio Congresso tivemos agora a oportunidade de conferir tintim por tintim como funcionam as coisas aqui na Banânia. Vejam a “ordem e o progresso”: José Sarney foi eleito presidente do Senado. Para atingir pela terceira vez esse cargo, contou diretamente com uma quadrilha de malfeitores, vejamos:

Renan Calheiros – o principal responsável pela entrada de Sarney na disputa – teve despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior; também foi acusado de participar de um esquema de arrecadação de recursos em ministérios dirigidos pelo PMDB e de mandar espionar senadores que pediam a cassação de seu mandato.

Romero Jucá – era ministro da Previdência em 2005, quando foi acusado de envolvimento em supostas irregularidades na aplicação de empréstimos do Banco da Amazônia; o dinheiro deveria ser usado no abatedouro de frangos Frangonorte, do qual Jucá era sócio; a empresa teria dado fazendas inexistentes como garantia ao empréstimo; após semanas de pressão e um inquérito aberto no STF, Jucá entregou o cargo e retornou ao Senado.

Valdir Raupp – se defende de duas ações penais e três inquéritos; a tramitação da Ação Penal 358 é a mais avançada; ainda em 28 de setembro de 2006, parecer da Procuradoria Geral da República  manteve decisão, em primeira instância, que condenou o líder peemedebista por peculato (desvio de dinheiro público) à pena de seis anos de prisão em regime semi-aberto.

Gim Argello – o mais novo senador a integrar o grupo de articulação de Sarney. Foi acusado em 2002 de ter recebido 300 lotes para facilitar a regularização do condomínio Alto da Boa Vista, em Brasília. A denúncia foi feita a partir de uma fita de vídeo pelo então secretário de Assuntos Fundiários e deputado distrital licenciado, Odilon Aires.

Essa é a turma que terá o comando do Senado, que num país medianamente sério, teriam perdido a cadeira senatória e teriam a esperá-los a cadeia. Mas aqui na Banânia são eleitos “otoridades” incontestáveis. Esse é meu país. 

Copa no Nepal – Por falar em meu país, estou aterrorizado com a idéia da Copa de 2014 ser realizada aqui no Brasil. Dentre outras coisas que esse evento trará de nefasto para nosso povo, já se pode sentir o acirramento das rivalidades regionais num nível muito abaixo, até mesmo, da decantada grosseria entre brasileiros e argentinos. Nesse exato momento em que escrevo, as cidades de Cuiabá e Campo Grande,  candidatas a realizar um – eu disse, um – dos jogos da famigerada Copa estão se engalfinhando para ser a escolhida. Não sei o que o pessoal de Campo Grande falou, mas leiam um pequeno trecho da crônica escrita por Rubem Mauro de Moura, cuiabano, evidentemente: “Não é do meu feitio chutar cachorro morto, porém desta vez não me contive. O cachorro morto de quem falo é a cidade de Campo Grade, que apesar de ter grande no nome, é pequena pela sua mesquinhez.

Ao invés de tentar mostrar algumas das suas supostas prerrogativas para ser sede da Copa, se preocupou mais uma vez em nos atacar. Dizem que comemoram até hoje e inclusive é feriado municipal a nossa separação. Que pobreza de espírito; nós comemoramos os 365 dias do ano essa gostosa separação de vocês…”

Ou seja, além da cizânia que vem semeando entre os brasileiros, essa Copa vai ser uma farra com o dinheiro do pobre contribuinte. Por que não fazem a Copa lá no Nepal? Seria uma boa, até porque eles são mais sérios do que nós.

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