2008-11-28 13:18:00
A estiagem na região da Grande Dourados deve retardar o aparecimento de focos de ferrugem asiática na safra 2008/2009 nas lavouras de soja. Mesmo assim especialistas apontam cautela aos produtores rurais que devem fazer com freqüência o monitoramento do plantio.
Em Dourados, dos 155 mil hectares a ser cultivados cerca de 80% a 90% já foram semeados, calcula o engenheiro agrônomo Bruno Tomazini, presidente da Aegran (Associação dos Engenheiros Agrônomos da Grande Dourados). Ele diz que os primeiros plantios tiveram início em outubro, mas somente com as chuvas no início deste mês foi possível acelerar o processo.
Com o atraso das chuvas, o engenheiro vê com preocupação o desenvolvimento do grão, que poderá sofrer conseqüências futuras com perdas de lavoura. Um outro motivo que ele analisa é que muitos produtores investiram menos em tecnologias (insumos), podendo agravar ainda mais a situação.
Na safra 2007/2008, o primeiro foco da ferrugem registrado em Dourados aconteceu em 20 de dezembro. Para essa safra, o fitopatologista da Embrapa Agropecuária Oeste, Alexandre Roese, diz que se não ocorrer chuvas nos próximos dias, os primeiros focos deverão surgir somente no mesmo período registrado no ano passado. O monitoramento meteorológico da Embrapa não prevê chuva para os próximos 10 dias.
Com a chegada das chuvas de verão, período propício para a doença se propagar, as atenções deverão estar voltadas à prevenção. "O ponto-chave para esta safra, no que se refere ao controle da ferrugem da soja, é capacitar seus profissionais para que eles possam detectar e indicar o melhor momento para a aplicação de fungicidas", disse Roese. A ferrugem da soja é uma doença que exige muita atenção por parte do produtor. "O momento ideal para aplicar fungicida é no surgimento dos primeiros focos da doença".
Atualmente, o mercado dispõe de produtos com alto potencial de eficiência e registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A inclusão de novos produtos tornou o mercado mais competitivo e isso se refletiu na queda dos preços.
Análise feita Embrapa de Dourados aponta que o custo maior no controle químico da ferrugem foi registrado na safra 2003/2004. O analista Alceu Richetti calcula que a aplicação de fungicida naquela época custava, em média, R$ 91,25. Para esta safra o orçamento é de R$ 40,75.
Quanto aos gastos dos fungicidas, a pesquisa, que foi feita em outubro desse ano, revela que de acordo com as dosagens recomendadas, variam entre R$ 15,93 e R$ 40,25. Já para a aplicação (máquina e produtos) usando trator e pulverizador de arrasto ficou entre R$ 27,03 e R$ 57,05, e usando pulverizador autopropelido R$ 24,37 e R$ 54,39. Dependendo do local de aquisição dos fungicidas, pode haver alteração nos valores.
Primeiro foco – O primeiro foco da ferrugem asiática registrado na safra brasileira foi confirmado no último dia 18 de novembro, em Senador Canedo, município localizado a cerca de 20 Km de Goiânia, GO. A confirmação veio da Agência Rural, entidade integrante do Consórcio Antiferrugem.
Mas esse foco, segundo o fitopatologista da Embrapa de Dourados, não é motivo de preocupação para as lavouras de Mato Grosso do Sul, pois segundo ele, a doença foi detectada em uma área experimental, cultivada antes do período correto do plantio.
Lembrando que a ferrugem se dissemina muito rapidamente na lavoura, Alexandre alerta que é importante cuidar para não perder o ponto ideal de aplicação do fungicida, pois alguns dias de atraso podem comprometer toda a estratégia de controle.
Na safra passada o estado que teve o maior índice do foco foi o Paraná, com 1038, seguido por Mato Grosso do Sul, 538, e Goiás, 238. No estado, Dourados teve o maior índice (153). Na seqüência foi Maracaju (78) e Aral Moreira (65).













