2008-10-04 11:40:00
Vilson Nascimento
Após19 dias de trabalho contínuo, a Polícia Civil de Amambai concluiu, nessa quarta-feira (1) as investigações sobre o duplo assassinato de mão e filho, ocorridos na noite de 12 para 13 de setembro na cidade, com cem por cento do crime esclarecido e três pessoas presas, entre elas, dois menores indígenas, um de 15 e outro de 16 anos.
As investigações sobre o crime que chocou a população de Amambai pela brutalidade que as vítimas, uma mulher de 86 anos e seu filho de 66, foram mortos dentro de casa, foram comandadas pelo delegado de Polícia Civil de Amambai, Dr. Claudineis Galinari e tiveram início logo após a polícia receber a comunicação do duplo homicídio, na manhã do dia 13 de setembro, um sábado.
De acordo com o delegado, pelos levantamentos realizados no local e pelas pistas deixadas, inclusive duas calças, uma delas com uma pequena quantidade de maconha no bolso, a equipe de investigação passou a trabalhar com a hipótese dos autores serem indígenas.
Com apoio irrestrito, segundo a polícia, do “capitão” da Aldeia Amambai, Rodolfo Ricarte que teria acompanhado o caso desde o início e juntamente com sua equipe de administração dentro da aldeia, bem como a colaboração de lideranças indígenas da Aldeia Tey Kuê em Caarapó, a Polícia Civil conseguiu a identificação e prender todos os autores do crime.
Um deles, apontado ela polícia como sendo o autor intelectual do latrocínio e o executor das vítimas, Celino Benites de 18 anos, foi preso na semana passada na Aldeia Tey Kuê em Caarapó, onde residia.
Na manhã dessa terça-feira (30), também com apoio de lideranças daquela reserva indígena, a polícia efetuou a prisão de um irmão de Celino Benites. O rapaz de 16 anos confessou a participação na ação que resultou na morte do casal de idosos, mas, como já havia feito seu irmão ao ser preso dias atrás, negou ter entrado na casa.
Prisão do terceiro esclareceu a ação- A prisão dos dois irmãos já havia consolidado a autoria do crime, porém faltavam detalhes de como os assassinatos teria ocorrido, fator que foi desvendado com a prisão do terceiro envolvido, um adolescente de 15 anos, residente na Aldeia Amambai em Amambai.
O menor, que vinha sendo procurado pela “polícia indígena” da aldeia, em ação coordenada pelo capitão da reserva indígena, Rodolfo Ricarte, foi capturado pelas lideranças da aldeia, uma das mais populosas da região com cerca de 7 mil índios guarani-kaiowá e entregue a polícia.
Ele afirmou, em depoimento, ter participado diretamente da execução das vitimas e contou detalhes de como o crime foi cometido.
Segundo o adolescente ele teria conhecido os dois acusados, Celino Benites e seu irmão de 16 anos, no dia do crime (sexta-feira, 12), na Aldeia Amambai onde reside.
Por volta das 13 horas, após consumirem cachaça e fumar maconha, eles passaram por uma festa que acontecia no Parque de Exposições, se deslocaram para a cidade e por volta das 22 horas, quando retornavam para a aldeia, ao passar pela casa das vítimas, situada aos fundos de um pequeno bar, na saída para Caarapó em Amambai, sabendo que no local morava um casal de idosos, Celino Benites teria dado a idéia de assaltar a casa para roubar pinga.
“Eu e o Celino fomos praticar o assalto enquanto o irmão dele permaneceu do lado de fora vigiando”, informou o adolescente indígena ao relatar que eles entraram na casa por uma janela lateral que estava apenas encostada.
Vítimas dormiam- Segundo relatou o acusado em depoimento à polícia, mãe e filho dormiam quando a ação criminosa começou, porém quando ele e Celino pularam a janela, uma das vítimas, o jardineiro Hermuth Nelson Fetter de 66 anos, teria acordado com o barulho e foi o primeiro a ser atacado.
Segundo o menor, Celino Benites, que carregava consigo uma faca de tamanho grande, teria golpeado o jardineiro que teria começado a gritar por socorro, foi quando ele teria segurado a vítima por um dos braços e Benites teria passado a desferir golpes contra a cabeça do homem até sua morte.
Com o barulho a mãe de Hermuth, Anselma Helena Fetter de 86 anos, que estaria dormindo em outro cômodo da casa, também teria acordado e começado a gritar por socorro, momento que o “depoente” teria segurando a mulher por trás ainda encima da cama e Celino teria passado a faca no pescoço, degolando a vítima e ainda teria desferido mais um golpe de faca contra a nuca de Alsema que era comerciante e mantinha um pequeno bar anexo a sua residência.
“Depois que a mulher já estava morta eu sai do quarto e o Celino ficou lá com ela por algum tempo. Não sei o que ele fez com ela”, disse o adolescente ao ser perguntado o porquê que a vítima havia sido deixada completamente despida sobre a cama.
Motivo banal- Ao concluir seu depoimento o menor, que a exemplo do outro acusado menor de idade apreendido, vai responder por “ato infracional” e pela legislação em vigor no país, poderá permanecer no máximo por três anos ou tão somente até completar a maioridade, em uma unidade para recuperação de menores infratores, disse em seu depoimento, que o objetivo ao entrar na casa era roubar bebidas alcoólicas e dinheiro e eles teriam deixado o local levando dois litros de “pinga” e cerca de R$ 30,00.
“Antes de sair da casa eu e o Celino tiramos as calças que estávamos vestindo, vestimos calças do velho que estavam no guarda-roupa e deixamos as nossas calças lá”, finalizou o acusado.
Celino Benites já teve a prisão decretada e está recolhido em um presídio, à disposição da Justiça. Pelo crime ter sido comprovadamente para roubar, (latrocínio), segundo levantou as investigações policiais, ele não deverá ir a júri popular e será julgado diretamente pelo juiz.
Já os adolescentes, após prestarem depoimento sob acompanhamento do Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente de Amambai, foram encaminhados aos cuidados do Ministério Público da Infância e da Juventude da Comarca para serem encaminhados à internação.











