2008-09-21 08:07:00
A aposentada Coraci Ferreira Silva, 69, tem endereço de e-mail, possui MSN e faz parte do site de relacionamentos Orkut. Pelo menos duas vezes por semana ela se conecta à internet para conversar com amigos, enviar mensagens e ajudar os netos em trabalhos escolares.
Ela faz parte de um grupo que, apesar de ainda restrito, tem crescido nos últimos anos: os internautas da terceira idade. Conforme dados do Ibope//NetRatings, entre os 18 milhões de usuários residenciais da internet brasileira registrados em junho de 2007, 1,48% (cerca de 265 mil) tinham mais de 65 anos. Em junho de 2003 esse público respondia por ou 1,55% dos 7,9 milhões de usuários da web residencial, ou cerca de 122 mil pessoas.
Coraci, que era funcionária pública, teve o primeiro contato com um computador há dez anos. Ela teve a oportunidade de fazer um curso básico de informática por meio da Associação dos Idosos do Brasil (AIB), sediada em Goiânia.
Antes de ingressar no curso para aprender a navegar pela internet, a aposentada utilizava o computador de uma das netas e, posteriormente, adquiriu o próprio equipamento. “Gosto de computador, de receber mensagens e de pesquisar quando é necessário”, diz. Para facilitar as pesquisas, Coraci tem todas as instruções, recebidas no curso da AIB, anotadas.
“Cabeça de idoso não é igual a dos jovens, por isso é melhor consultar as anotações e ir pelo caminho certo”, brinca.
Marli Fernandes de Assis, assessora técnica da AIB, explica que a entidade oferece o curso de informática (realizado em parceria com a Fundação Banco do Brasil) há quatro anos. Nesse período, a procura pelas aulas tem crescido cada vez mais. Além de noções sobre internet, os idosos aprendem Word e Excel, em aulas na Estação Digital da entidade.
Os cursos têm duração média de quatro meses, mas podem ser estendidos conforme a dificuldade de cada aluno. Um dos pontos positivos do curso, segundo a assessora, é o fato de as aulas serem abertas aos familiares dos associados. “Com a oportunidade de levar netos ou outras pessoas da família, os idosos se sentem mais respeitados”, diz.
Outro ponto positivo apontado pela assessora é o fato de os idosos acompanharem os avanços tecnológicos. Segundo ela, muitos ainda resistem a conhecer o novo, mas quem se propõe a aprender, não pára mais. “É importante a pessoa acompanhar o progresso do mundo, pois, atualmente, tudo envolve tecnologia. Seja em aeroportos, bancos ou outras instituições. Se o idoso não aprender, ele se apaga para o mundo, fica distante”, observa.
A psicóloga Alba Lucinia da Silva Magalhães De Sensi, especialista na área educacional e clínica, diz que o contato com as novas tecnologias é importante para os idosos, mas ela faz uma ressalva: não se pode perder o contato social, o “olho a olho”. Conforme a profissional, a ausência desse contato por causa de horas











