2008-09-14 18:20:00
O Comitê Cívico de Arroyo Concepcion, que coordena o bloqueio na fronteira do Brasil com a Bolívia em Corumbá, informou que irá retirar os montes de terra que impedem a passagem de veículos em frente a aduana do país vizinho hoje à meia noite. Porém o posto permanecerá ocupado pelo movimento contrário ao presidente Evo Morales.
O presidente do comitê, Carlos Vargas, disse que não há previsão para o retorno do funcionamento dos serviços aduaneiros e de identificação e vistos na fronteira. “Vamos desobstruir a passagem para veículos hoje a meia-noite. Fizemos isso por setenta e duas horas em protesto às mortes em Pando, mas ocupação continua” diz Carlos. O comitê se reunirá hoje à tarde para decidir quais ações serão tomadas na fronteira.
Conforme Carlos Vargas, a tensão aumenta na região. “O governo mandou seus aviões buscarem tropas em Porto Quijarro, mas não conseguiram porque o acesso aos aeroportos está fechado. Tem muita gente que já começa a preparar suas armas para uma reação porque não vamos deixar que o esse governo tome o poder local com suas forças militares, como já estão tentando fazer em Pando”.
Hermán Nina, que mudou-se de La Paz para a fronteira para tocar um pequeno estabelecimento comercial acredita que as ameaças de violência partem de um movimento minoritário na região.”É um grupo pequeno de pessoas que está falando isso, a maioria das pessoas daqui apóia o presidente Evo Morales e as mudanças pelas quais toda a população luta há tanto tempo. E nenhuma dessas pessoas está se preparando, e nem quer, nenhum confronto. Sabemos que é justamente isso que as pessoas que se opõem ao governo esperam para justificar seus atos”.
Cerca de trinta pessoas do Comitê Cívico Arroyo Concepcion ocupam o Controle de Fronteira. Na aduana boliviana, que permanece fechada, com um único agente em uma pequena sala lateral fazendo a vigilância. “Por favor tirem fotos do lado de fora, as pessoas podem ver vocês entrando aqui e quererem entrar também” disse o agente. O posto da Polícia Nacional também permanece fechado.
Neste domingo, as poucas pessoas que se arriscam a ir às compras nos mercados bolivianos o fazem sem passar pelo controle de entrada e saída do país, e cruzam a fronteira a pé. Em Arroyo Concepcion quase todo o comércio permanece fechado.
Fronteira – No posto de fiscalização da Receita Federal em Corumbá, os agentes têm pouco a fazer. Porém o auditor da Receita de plantão da fiscalização, Carlos Eloy Ferreira, afirma que com o desbloqueio deverá haver um aumento súbito de demanda.
“Estamos nos preparando para atender a demanda que foi reprimida com o bloqueio. Embora para as grandes cargas a situação de bloqueio ainda possa permanecer, pois as estradas bolivianas e mesmo a ferrovia continuam interrompidas, para o comércio mais localizado, que se faz entre Corumbá e os mercados mais próximos do lado de lá da fronteira, o movimento deve recomeçar”.
Boa-vontade – A suspensão dos bloqueios nas estradas da Bolívia foi anunciada neste domingo pelo presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz Branco Marinkovic. Conforme a Folha Online, a oposição ao presidente Evo Morales destaca que o gesto demonstra disposição ao diálogo.
“Como um sinal de boa vontade para o diálogo e, esperando que o governo nacional também mostre o mesmo sinal de parar a violência no país (…) hoje vamos suspender os bloqueios de estrada", anunciou à imprensa Marinkovic. “Todos os pontos de bloqueio no departamento serão suspensos. Os demais departamentos farão o mesmo”, disse.
Há semanas, a Bolívia vive uma onda de protestos, que causaram ao menos 16 mortes. A oposição a Morales está concentrada na região do Chaco boliviano, no sudeste do país, local onde ficam as reservas de gás. A região engloba , Tarija, Beni, Pando, Chuquisaca e Santa Cruz.











