2008-09-12 00:03:00
O Conselho Indigenista Missionário – Cimi lançou no site da instituição, um abaixo assinado pedindo “urgente identificação e demarcação de terras indígenas em cumprimento ao Termo de Ajustamento de Conduta, à Constituição Federal em consonância com a Convenção 169 da OIT e a Declaração dos Direitos Indígenas da ONU”.
Segundo o Conselho, todos os anos morrem mais de cem pessoas indígenas no Mato Grosso do Sul e a culpa dessas mortes seria a situação de confinamento, que segundo os trechos introdutórios, estão submetidas às populações indígenas no Estado.
Os motivos destas mortes seriam ainda, segundo o documento, “a voracidade da monocultura do agronegócio, estimulada pela omissão do Governo Federal em demarcar as terras indígenas; a impunidade dos assassinos dos índios e a prisão dos que lutam pelos direitos de seu povo; as paralisações dos procedimentos de demarcação por ações judiciais e pela intervenção contínua dos poderes Legislativo e Executivo do Estado e dos municípios”.
“São dezenas de assassinatos, mortes por desnutrição, atropelamentos, suicídios, e uma situação de escassez econômica que inviabiliza seus projetos de vida e de futuro. Atualmente, mais de 100 indígenas Kaiowá Guarani estão nas prisões no Estado. A principal causa desta realidade dramática é indiscutivelmente a falta de terra”, explica o documento do Cimi.
O documento argumenta ainda que existem atualmente no Mato Grosso do Sul, aproximadamente, 40 mil Kaiowá/Guarani vivendo em 20 mil hectares de terra. As assinaturas serão encaminhadas ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, com cópias ao presidente da Funai, Márcio Meira, e ao ministro da Justiça, Tarso Genro.
Para ler ou assinar o documento, clique aqui.
Teoria da Conspiração ou verdade?- Nos últimos dias, têm chegado à redação do Dourados News e-mails de leitores que “juram de pés juntos” que os estudos antropológicos que estão sendo feitos no Estado são na verdade tentativas da Ong’s e até da ONU de se apoderarem das terras do Estado disfarçadamente, devido ao aqüífero Guarani, sob o qual boa parte do MS está assentado.
Alguns dos comentários, quando identificados, foram e serão divulgados, sob o preceito de interação com o leitor e da liberdade de expressão, porém outros leitores mandaram e-mails com palavrões, xingamentos e até ameaças contra matérias e artigos que mostram a versão indígena dos fatos que, por sua vez, não são divulgados, ainda que os IP (Internet Protocol), que são o conjunto de números que representam a localização do computador que o enviou, apareçam nos registros do Dourados News.
São publicadas no jornal tanto matérias com os anseios e idéias dos produtores rurais e de suas representações de classe quanto os ideais dos indígenas e seus representantes. Esse sempre foi e será o papel do jornal, de transmitir as duas ‘faces’ da questão, com responsabilidade e ética.













