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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Periscópio “Somos idiotas, mas ricos” por Antonio Luiz

2008-06-28 10:39:00

Somos idiotas, mas ricos

O brasileiro é mesmo um grande otário  e nem se dá conta disso. Trabalhamos quase cinco meses por ano para custear as falcatruas oficiais e, como diz a Martha, “relaxamos e gozamos”. Nos consideramos  muito espertos e, no entanto, somos de uma ingenuidade que chega às raias da idiotice. Nem sei mais quantas vezes somos espoliados por dia. Mas, com certeza são muitas e na maioria das vezes a roubalheira vem com a chancela oficial. Nesse governo atual então, as safadezas chegaram ao paroxismo. “Nunca se viu antes na história desse país” uma corja de políticos tão mal intencionados e oportunistas como agora.

Amparado por pesquisas que lhe dão um alto índice de aprovação, sobretudo em função do baixo nível intelectual da imensa maioria da população e escorado em programas de “fundo social” como o “Bolsa Esmola” – e como se viu recentemente no morro da Providência no Rio, um tal de “Cimento Social” -, mas que na verdade são chamarizes eleitoreiros, o presidente da República – um homem sem eira, nem beira – se arvorou em divindade e saí pelo país e pelo mundo falando as maiores cretinices que lhe vêm à sua ignominiosa cabeçorra. Faz seis anos que o presidente não desce do palanque para, pelo menos, tentar diminuir o ritmo dos escândalos que pipocam amiúde país afora. Fala, fala e fala pelos cotovelos. A cada dia se supera nos disparates que dejeta em seus “discursos”, sempre marcados pela inflexão raivosa contra os adversários e o beneplácito carinhoso com ladravazes como Renan, Severino, Delúbio, Palocci e que tais. Isso, sem contar a defesa intransigente dos arrivistas paralelos como o primeiro amigo e compadre que há anos vem se aproveitando da sua “influência” junto ao apedeuta.

Lula, talvez seja a mais pretensiosa das “bestas” que habitam nosso cenário político. Por isso, se deu melhor, por isso acredita na sua sacralização. E é, exatamente por nossa culpa, que ele extrapola todos os limites e nos faz cada vez mais otários e cada vez mais impotentes.

Vejam só, o compadre, avalista e sócio dizia que não ia ao Palácio. Recebeu 5 milhões de reais na negociação da VarigLog, e dizia que eram uns 300 mil.

A Presidência reconheceu que o advogado Roberto Teixeira esteve pelo menos seis vezes no Palácio do Planalto com Lula , seu compadre, desde 2006, em encontros não registrados na agenda pública do presidente. Teixeira é acusado de usar sua influência junto ao governo para aprovar a venda da VarigLog para um fundo americano e três sócios brasileiros, que o contrataram. Ao menos dois desses encontros estão relacionados diretamente com o negócio, aprovado pela Anac em junho de 2006. No mês seguinte, a VarigLog adquiriu a Varig. No dia 15 de dezembro daquele ano, Teixeira foi ao encontro de Lula acompanhado dos sócios da Varig um dia depois de a companhia receber da Anac, em cerimônia em Brasília, certificado que lhe deu autorização para voar. No palácio do Planalto tiraram fotos com o presidente, todos sorridentes e felizes, pois tinham acabado de mais uma vez “passar a perna” no povo brasileiro, tungaram milhões, enquanto mantêm a “plebe ignara” satisfeita com uns caraminguás do infame “Bolsa Esmola”.

Usando a tática petista de ir admitindo as coisas aos poucos, o “advogado” – cadê o Conselho de Ética da OAB? –  Roberto Teixeira fanfarronou, na quarta-feira da semana passada,  dizendo que seus acusadores teriam fugido dele, o primeiro-compadre, disse ter recebido da VarigLog apenas US$ 350 mil.

Na sexta, confrontado com documentos apresentados pela repórter do Estadão, ele admitiu que, bem, na verdade, tinha recebido mesmo US$ 3,2 milhões — ou seja: em dois dias, o valor foi multiplicado por nove.

Segunda-feira passada a um repórter da Folha, Teixeira admitiu: recebeu mesmo US$ 5 milhões, conforme Marco Antonio Audi havia revelado em entrevista ao Estadão.

Em quatro dias, o ganho admitido por Roberto Teixeira foi multiplicado 14,28 vezes!!!

Essa “brava gente brasileira” não perde por esperar. Lembram-se de quanto foi gasto no Panamericano do ano passado no Rio de Janeiro. Somente umas quinze vezes o valor orçado inicialmente. Ou seja, meteram a mão à vontade. Afinal, somos ou não somos um país rico.

Como disse o presidente na segunda-feira passada durante a cerimônia em que destinou – tungou? – 85 milhões de reais  para custear o trabalho de técnicos contratados para montar o dossiê da candidatura do Rio, que deverá ser entregue ao COI em fevereiro, e peças promocionais da cidade,  “Acabou o tempo de dizer que somos pobrezinhos, que temos favela, que temos criança de rua. Isso mobiliza ONGs, mas não mobiliza decisão de Estado”.

Grande estadista! E lá se vão 85 milhas só para fazer relatórios.

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