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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Preços dos grãos serão ainda mais altos até 2017

2008-06-25 10:13:00

Nos próximos dez anos os preços das commodities no mercado internacional atingirão um patamar ainda mais alto. A constatação foi feita pelo professor da Universidade de Missouri, Fábio Chaddad, que palestrou no primeiro dia do 23º Seminário Cooplantio, em Gramado. Segundo ele, os valores deverão apresentar queda nos próximos dois anos, mas seguirão com uma cotação mais elevada se comparados aos níveis de preços praticados entre 1998 e 2007.

Os custos para a manutenção da lavoura, entretanto, também devem aumentar com a alta nos preços do petróleo, que no período de oito anos, cresceu cinco vezes em relação aos valores do ano 2000. "A partir de agora, o risco de volatilidade nos preços será maior, por isso o produtor vai ter que trabalhar com margens cada vez mais apertadas. Controlar os custos e elevar a produtividade são fundamentais", projeta o especialista.

Entre os diversos fatores que culminarão na valorização dos grãos, o que mais vai impactar nos preços é o aumento na demanda por alimentos, principalmente dos países emergentes. Chaddad afirma que 300 milhões de chineses devem fazer parte da classe média nos próximos dez anos. Hoje a maioria da população daquele país vive no campo, contudo, as oportunidades nas cidades estão melhores e o êxodo rural é constante. "A tendência é de os países emergentes evoluírem mais e os desenvolvidos terem uma margem de crescimento menor", prevê.

O economista e sócio do banco BR Investimento, Paulo Guedes, que também palestrou em Gramado, criticou a avaliação dos países desenvolvidos em insistirem que as cotações dos grãos estão aumentando por causa da produção de etanol brasileiro. Para ele, a principal razão para a explosão de preços é a entrada de 3,5 bilhões de asiáticos, que estavam fora do mercado e agora estão consumindo mais. "O Brasil está em uma situação privilegiada, pois tem a produção de grãos de um lado e de biocombustível do outro", afirma.

Chaddad comenta que as exportações brasileiras de grãos se expandiram, em média, 9% ao ano de 1990 a 2005, e tem espaço para aumentar ainda mais. "Somente para o leite em pó, o comércio mundial vai crescer 50% nos próximos dez anos e vai liderar entre os produtos agrícolas industrializados", acrescenta. Em relação ao câmbio, Guedes ressalta que o dólar deve continuar perdendo força nos principais países com a crise econômica que se instalou nos Estados Unidos. Conforme ele, a situação só deve melhorar em três anos. "A moeda de parâmetro daqui para frente será o euro", avisa.

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