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terça-feira, 26 de maio de 2026

Omissão do Estado facilitou assalto em Sete Quedas

2008-06-14 01:21:00

Vilson Nascimento

A omissão do Estado em oferecer condições adequadas de trabalho para a polícia facilitou em muito a vida dos assaltantes durante o roubo de um caminhão ocorrido na noite de sexta-feira passada (6) em Sete Quedas. A avaliação é da própria vítima, um motorista de 48 anos, residente em Amambai.

Segundo a vitima, que não vamos revelar a identidade por motivos de segurança, ele e seus três ajudantes ficaram por mais de 2 horas parados no local do assalto, a cerca de 8 quilômetros da sede do Grupamento de Polícia Militar de Sete Quedas e apesar da polícia ter sido informada no momento que a ação criminosa teve início, nenhum policial compareceu ao local, segundo o motorista, sob alegação que não tinha viatura em condições operacionais para atender a ocorrência.

Agredido física e moralmente pelos marginais com freqüentes ameaças de morte, o motorista, que ainda trás no corpo as marcas da violência praticada pelo bando, segundo ele cerca de 8 homens fortemente armados, ainda teria tentado retardar ao máximo a ação dos criminosos, na esperança que a polícia chegasse e evitasse o roubo do caminhão, um Mercedes Benz 1418 de cor vermelha, placas AAR 2922 de Amambai-MS, mas não adiantou.

O assalto- Segundo o motorista ele e três ajudantes haviam descarregado uma carga de sal em uma fazenda sitiada a cerca de 26 quilômetros da cidade em Sete Quedas e quando retornavam pela rodovia MS-160 que segue a linha internacional, separando Brasil e Paraguai, por volta das 19h, o caminhão teve o pneu dianteiro alvejado por um disparo de arma de fogo.

Desconfiado que se tratasse de um possível assalto, o motorista acionou o sistema de “rodo-ar” para evitar que o pneu murchasse de vez e seguiu viajem, porém passou a ser perseguido pelos marginais que estavam abordo de uma caminhonete com placas paraguaia e de um veículo Parati.

Ao notar que estava sendo perseguido o motorista tentou entrar em contato com a Polícia Militar de Sete Quedas pelo telefone de emergência, o “190” mas ninguém atendeu, fato que acontece com freqüência tendo em vista a falta de efetivo, que obriga os policiais a fecharem o Grupamento PM para atender ocorrências e realizar rondas pela cidade.

“Sem conseguir contato com a Polícia Militar, liguei para a empresa a qual havia me contratado em Amambai e membros da empresa acionaram as polícias Civil e Militar em Sete Quedas, mas não recebi nenhum socorro”, disse o motorista.

Segundo o caminhoneiro mesmo com o pneu furado ele conseguiu conduzir o caminhão por cerca de quatro quilômetros, mas com o veículo impossibilitado de rodar mais naquelas condições, ele foi obrigado a parar o caminhão, foi quando acabou abordado pelos marginais.

Motorista provocou pane no caminhão- Segundo o motorista, visando atrasar a ação dos marginais para possibilitar a chegada da polícia, ele chegou a provocar pane no caminhão.

Depois de trocarem o pneu danificado, os assaltantes não conseguiram deixar o local tendo em vista que o caminhão havia afogado e não pegava na partida, pane provocada intencionalmente pelo caminhoneiro através do acionamento de um dispositivo de segurança que o veículo dispunha, para tentar ganhar tem e possibilitar a chegada da polícia.

De acordo com o motorista parte dos marginais chegaram a deixar o local por vários minutos com a caminhonete para buscar óleo diesel, acreditando que se tratava de uma pane seca.

Nesse intervalo de cerca de 2 horas de espera, vários veículos teriam passado pelo local e inclusive uma caminhonete teria parado para oferecer ajuda, feito dispensado pelos marginais que a cada tempo que passava ficavam mais agressivos e ameaçadores.

“Tendo em vista a agressividade e vendo que minha vida e a vida dos três companheiros estavam de fato ameaçadas e com a polícia não aparecia, tive que liberar o caminhão sem que os assaltantes percebessem que eu havia provocado a pane”, relatou o motorista ao informar que por conta do tempo que o veículo ficou parado com os faróis acesos, a bateria descarregou e os assaltantes tiveram que dar um “tranco” para o caminhão voltar a funcionar.

Com o caminhão, avaliado em R$ 82 mil reais, já funcionando, as vítimas foram colocadas na carroceria e obrigadas as seguirem com os marginais até a região conhecida como “Pacova” do lado paraguaio da fronteiram, a cerca de 40 quilômetros de Sete Quedas, onde foram liberadas pelos assaltantes.

“Esse caminhão era meu ganha pão. Com ele eu mantinha minha família, estou desesperado”, disse o motorista ao relatar que no início do ano havia procurado uma seguradora para fazer um seguro do veículo de carga, mas por conta do auto valor, cerca de R$ 12 mil reais ao ano, não teve possibilidade financeira de fazer.

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