25.2 C
Amambai
terça-feira, 26 de maio de 2026

CSS só será votada no Senado após a eleição

2008-06-14 00:34:00

A base governista no Congresso prepara uma estratégia ardilosa para tentar aprovar a CSS (Contribuição Social para a Saúde) mesmo com a forte oposição das entidades que representam o setor produtivo e a sociedade civil. Como percebeu que correrá grande risco de ser derrotada se colocar a proposta em votação no Senado agora, a base decidiu adiar a votação — que pode ficar para depois das eleições municipais de outubro, aumentando as chances de aprovação.
O projeto que cria a CSS foi aprovado na Câmara nesta semana, mas a margem obtida pelo governo foi extremamente apertada — só dois votos a mais do que o necessário para criar a nova versão da CPMF. A previsão é de que a briga no Senado será ainda mais acirrada, já que a oposição tem mais força na Casa.

Além disso, os senadores da própria base aliada dão sinais mais claros da disposição de votar contra o projeto. A saída, acredita o governo, é esperar passar a eleição. A avaliação dos governistas se baseia no fato de que os senadores e partidos temem carregar para a campanha a marca negativa do voto favorável à nova CPMF.

Superada a disputa eleitoral, os senadores poderiam abandonar a hesitação em apoiar um projeto tão impopular. Conforme reportagem publicada nesta sexta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, essa estratégia ganha força também pelo fato de o governo não considerar urgente a conclusão da votação da CSS.

A aprovação da proposta na Câmara ainda não foi concluída. Faltam quatro destaques à matéria, e essa tramitação será prejudicada pelo início das convenções eleitorais (que deve reduzir o quórum das sessões do Congresso) e pelas medidas provisórias que estão na fila de votação.

"O contexto nos favorece", afirma o líder do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), sobre a chance de atrasar os destaques. Para a base, porém, o mais difícil foi mesmo aprovar o texto principal. Os principais partidos de oposição acreditam que a CSS não sairá do papel, ainda que o governo leve adiante a estratégia de esperar o fim das eleições.

"A contribuição vai cair de duas formas: no Senado, pelo voto, e no Supremo, por falta de sustentação legal", avisa o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na quinta que não tem nada a ver com a articulação pelo novo imposto. "A CSS é criação do Congresso", despistou.

Leia também

Edição Digital

Jornal A Gazeta – Edição de 26 de maio de 2026

Clique aqui para acessar a edição digital do Jornal...

Enquete