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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Baixa renda usa cartão de crédito para esticar salário do mês

2008-06-11 23:28:00

Mais da metade dos cartões de crédito emitidos no país estão nas mãos de consumidores de baixa renda, que utilizam o meio eletrônico como uma forma de compensar a falta de dinheiro quando o fim do mês se aproxima, segundo Fernando Chacon, diretor de marketing de cartões do Banco Itaú e coordenador de uma pesquisa sobre o mercado.

 "O mês não tem 30 dias para a renda do consumidor de baixa renda. Para a renda dele, o mês é mais curto e o cartão de crédito é importante para compensar a falta de dinheiro", explica Chacon, que aposta em um crescimento cada vez maior do uso dos cartões para o pagamento de alimentos, principal vilão da alta de preços no país desde o ano passado.

Segundo o executivo, pesquisa da Itaucard com famílias de baixa renda (com e sem conta em banco, e não restrita a clientes do Itaú), em capitais e cidades do interior, apontou que esses consumidores utilizam o cartão de crédito, principalmente, para aproveitar ofertas, em emergências (compra de remédios em farmácias) e no parcelamento de alimentos, roupas e bens duráveis.

"O cartão de crédito é uma importante ferramenta de compra. O valor do ticket estabilizou e o faturamento ainda cresce, porque crescem as transações de pequenos valores. A baixa renda orienta os gastos para vestuário, lojas de departamentos e supermercados", disse Chacon.

As lojas de departamento e vestuário concentram 23% dos gastos com cartões de crédito da baixa renda contra 21,8% da média nacional, e os supermercados, 21,7% contra 17,1% do consumo das demais rendas.

Para o lazer, no entanto, o uso do cartão ainda é baixo nas classes C e D, que o limitam a viagens para casa de amigos e parentes, pequenos passeios e idas a restaurantes. O volume faturado pelo segmento em hotéis, restaurantes e companhias aéreas representa apenas 9% do consumo destas classes, ainda bem distante dos 17,7% registrados pelas demais rendas e abaixo da média nacional de 11,9%.

Parcelamento –
Segundo Chacon, a média das compras da baixa renda para pagamentos a vista é de R$ 40 e de R$ 180 para a prazo, enquanto para as rendas mais altas é de R$ 79 e R$ 340, respectivamente. "Na baixa renda, 55% das compras são parceladas, enquanto para a alta renda, neste caso acima de R$ 2.500, 42% são parceladas", disse.
Para o executivo, a inadimplência entre os consumidores de baixa renda não é um problema. Ele lembrou que as taxas vêm em queda há três anos [o mercado não divulga índice de inadimplência] e que as financiadoras e bancos empregam suas ferramentas para evitar a falta de pagamento das faturas.

Uma delas é o parcelamento da fatura –no momento do pagamento da fatura, e não da realização da compra–, que permite o consumidor a dividir sua dívida, independentemente de ainda não estar inadimplente. "O parcelamento da fatura representa 20% do total do volume financiado na indústria. O valor da parcela sendo conhecido previamente é favorável. O que é ruim é o consumidor não saber o que vai pagar [por sua dívida]", avaliou o executivo.

Inflação –
Segundo Chacon, os consumidores de baixa da renda deverão ser os principais responsáveis pela expansão do mercado de cartões de crédito neste ano. Nem mesmo a ameaça de um quadro inflacionário e o cenário de aumento da taxa de juros deve prejudicar o desempenho deste segmento, que, nos últimos cinco anos, cresceu 142%, e deve ultrapassar, no final de 2009, o grupo das demais rendas na participação do faturamento da indústria de cartões.
 "Para o consumidor, o que importa é ter a capacidade para pagar a parcela. O consumidor não diminui suas necessidades. A renda é que fica mais apertada e precisa mais de crédito. O que tende a acontecer se a situação piorar é haver controle de limite de crédito", disse Chacon.

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