2008-05-27 01:10:00
Vilson Nascimento
Supostas ameaças de invasão do prédio levaram a direção local a fechar as portas do Núcleo Regional da Funai (Fundação Nacional do Índio), deixando cerca de 26 mil índios das etnias guarani-kaiowá e guarani-ñhandeva sem atendimento em Amambai e em mais onze municípios da região de fronteira.
Dias atrás rumores de invasão fizeram a Polícia Federal realizar uma verdadeira “operação de guerra” ao redor do prédio, mas nenhum suposto invasor apareceu.
Com o surgimento de novos boatos sobre suposta invasão, desde o meio da semana passada o órgão federal está com as portas fechadas e os funcionários dispensados.
Novela antiga- Segundo informações de funcionários do órgão federal em Amambai as ameaças de ocupação seriam pelo mesmo motivo das manifestações do ano passado, quando a direção da Funai em Brasília decidiu acabar com a Regional em Amambai e transferir a administração para a recém criada Administração Regional para o Conesul em Dourados.
Com a extinção da sede regional em Amambai, que passou a funcionar como um simples “núcleo de apoio”, subordinado a Dourados, a unidade local perdeu recursos, funcionários e condições operacional para atender as aldeias, gerando revolta e protesto das comunidades indígenas atendidas pelo órgão em Amambai que cobram da Funai, desde então, a devolução da Delegacia Regional para Amambai.
Enquanto dura impasse comunidade sofre- Enquanto o Governo Federal e a Funai tratam com omissão a situação e as autoridades locais, que conhecem bem o problema, também não se movimentam para cobrar soluções, a população indígena e a própria população branca é quem “paga o pato”.
Sem o atendimento ou as vezes com atendimento precário por parte do órgão tutor, no caso a Funai, os indígenas não tem a quem recorrer e acabam perecendo com falta de assistência.
Recentemente toda a comunidade da Aldeia Limão Verde, situada a três quilômetros de Amambai ficou uma semana sem água tendo em vista que a única bomba que fornece água para a aldeia apresentou problema e a Funasa (Fundação Nacional de Saúde) responsável pela distribuição de água nas aldeias, não tinha equipamentos para realizar a manutenção.
Durante esse período aulas foram suspensas antes do recreio e para cozinhar e beber, os indígenas tiveram que se locomoverem por quilômetros até riachos da região, ora se arriscando ao dividir espaço com os veículos na rodovia MS-156 e ora tendo que enfrentar animais bravos em pastagens da região, além de sofrerem represálias dos proprietários das terras.
“Em nenhum momento tivemos apoio da Funai durante esse período que ficamos sem água”, disse um líder da comunidade local.
Problemas nas aldeias e nas cidades– A falta de ação da Funai junto as comunidades indígenas, além de permitir o agravamento da situação dentro das aldeias, com o aumento da violência gerada pelo consumo de álcool e drogas ilícitas, também está arrastando o problema para as cidades.
Em Amambai tem aumentado assustadoramente o número de indígenas, a maior parte crianças e adolescentes, pedintes e revirando latas de lixo para encontrar algo para comer.
Outro problema que tem se agravado é a quantidade de pequenos furtos praticados por indígenas, principalmente furtos de bicicletas.
Na semana passada, por exemplo, ao parar em uma loja no centro da cidade em Amambai, um garoto de apenas 7 anos teve a bicicleta furtada por um adolescente indígena de aproximadamente 14 anos e ao ser interpelado por uma amiga da vítima, o larápio ainda teria ameaçado a menina antes de fugir, cenas que tem se tornado cada vez mais freqüente na cidade e tendem se agravar mais ainda à medida que o tempo passa e nada é feito para impedir a evolução do problema.









