2008-05-14 10:30:00
O preço da arroba do boi gordo no campo é o maior dos últimos cinco anos em pleno pico da safra. Depois do pão francês, do arroz e do óleo de soja, a carne bovina começa a despontar como o mais novo vilão da inflação ao consumidor neste mês.
Na segunda-feira, a arroba do produto estava cotada no mercado físico do interior paulista em R$ 77,61, com alta de 1,73% no mês, de 10,49% no ano e de 42,82% nos últimos 12 meses, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Universidade de São Paulo.
Em Mato Grosso do Sul a carne bovina começou o ano cotada a R$ 69,00 a arroba. De real em real foi subindo até atingir R$ 75,00 em quase todos os frigoríficos consultados diariamente pelo Midiamax e se mantém nesse teto, mas a previsão é que ultrapasse R$ 90 na entressafra.
A cotação do bezerro, que é o boi antes da engorda para o abate, também está em nível recorde. Subiu quase 25% neste ano e mais de 45% em 12 meses, apontam as cotações do Cepea. "No supermercado, todo dia a carne sobe um pouquinho", diz o presidente da Associação Brasileira de Supermercados, Sussumu Honda.
Neste mês, a carne bovina já aumentou entre 7% e 10% no varejo, sem queda nos volumes, conta. Esse movimento de alta de preço já começa a aparecer na inflação. No IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe, a carne bovina subiu 1,42% na primeira quadrissemana deste mês, após ter fechado abril com alta de 0,42%.
"A aceleração da carne bovina é bem forte na ponta e o produto pesa 2,54% no IPC", diz o coordenador do índice, Márcio Nakane. Sergio De Zen, pesquisador do Cepea, diz que o recorde de preços está ainda para acontecer. A arroba está cotada no mercado futuro da BM&F por R$ 88 para outubro. A elevação de preços é sustentada pela baixa oferta de bois, que é fruto da queda na rentabilidade do setor nos últimos anos, o que provocou corte no plantel.










