2008-05-13 14:11:00
Há exatamente um mês, a vida voltou ao normal em Eldorado, epicentro da crise da febre aftosa que ainda abalava pecuaristas, comerciantes e moradores locais. Um leilão de 719 reses no sindicato rural da cidade, situada a 430 km ao sul de Campo Grande, marcou o retorno à normalidade no comércio de gado bovino depois de 34 meses de uma angustiada espera. O trânsito dos bois, a venda aos frigoríficos e até a exportação da carne já estavam permitidos. Mas ainda faltava um leilão, termômetro de preços e símbolo de uma pecuária forte e dinâmica.
O PIB de Eldorado desabou R$ 10 milhões (-13%) de 2004 para 2005, somando R$ 78,4 milhões. E a arrecadação de impostos recuou de R$ 3,8 milhões, em 2005, para R$ 2,9 milhões em 2006. Na atividade pecuária, o fundo do poço foi ainda pior, com queda de R$ 2,1 milhões para R$ 1,4 milhão. Os moradores ficaram mais pobres. O PIB per capita também sofreu um forte recuo de 12,7%: de R$ 7.977 para R$ 7.079.
A aposta de Eldorado, agora, é na diversificação da produção. A principal alternativa é a usina de etanol Rio Paraná, controlada pela Clean Energy Brazil (CEB), que processará 2,3 milhões de toneladas de cana. Pelo menos 70 mil hectares de pastagens serão dedicadas ao plantio de cana. A prefeita da cidade acredita em 300 empregos diretos. "Vamos ser menos dependentes da pecuária", comemora. Mas nem todos estão de acordo. "Ainda não sei se isso é bom. Um terço da área vai ser tomado pela cana", duvida o pecuarista Manoel Simões Junior.










