2008-05-07 06:34:00
Vilson Nascimento
Trabalhando com menos de 10 funcionários, o Núcleo Operacional da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Amambai é responsável em atender uma população estimada em 26 mil índios que habitam aldeias e terras ocupadas em uma extensão de aproximadamente
As aéreas indígenas das etnias guarani-kaiowá e guarani-ñhadeva estão espalhadas em 12 municípios e se estendendo desde Bela Vista até Japorã, no extremo sul do Estado, o que dificulta o atendimento adequado a todas as comunidades.
Amambai problema é grave– Com a falta de uma atuação mais presente da Funai, órgão responsável pela tutela dos povos indígenas em todo o País, os problemas envolvendo as comunidades indígenas vem se agravando dia a dia, principalmente em Amambai, sede do Núcleo.
A cidade que é cercada por duas aldeias, a Aldeia Limão Verde, com uma população de 1.125 índios guarani-kaiowá e a Aldeia Amambai com 6.639 índios, também da etnia guarani-kaiowá, enfrenta diversos problemas como pequenos furtos, principalmente de bicicletas, roupas e objetos de pequenos valores, além de conviver com problema dos índios pedintes, que dia após dia batem de porta em porta pedindo quase sempre alimentos.
Sem ter a quem recorrer indígenas vítimas de comerciantes inescrupulosos, que mesmo sabendo da proibição por lei, vendem bebidas alcoólicas a indígenas, ficam a mercê da sorte. Não são raras as cenas onde figuram índios bêbados caídos em praças e calçadas da cidade em Amambai.
Nas aldeias a situação é ainda mais grave. Sem uma ação de fiscalização e acompanhamento, a bebida alcoólica e até drogas ilícitas como a maconha e o crack acabam entrando livremente nas reservas indígenas e a conseqüência disso é o alto índice de violência como homicídios e tentativas de homicídios, estupros e até suicídio.
São raros os dias da semana que equipes da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) que presta assistências às comunidades indígenas, não tem que socorrer para o Hospital Regional em Amambai, índios vitimas de agressão a pauladas e esfaqueamentos nas aldeias de Amambai e região, em mais de 90% dos casos, segundo a polícia, por conta de brigas que tiveram início devido ao consumo de bebida alcoólica ou outros tipos de drogas.
Situação tende a mudar, diz nova chefe do Núcleo- Apesar de conhecer os problemas existentes nas aldeias e fora delas e os limites estruturais que o órgão dispõe para atuar, a nova chefe do Núcleo da Funai em Amambai, Marina Dutra Vieira, que está no cargo faz três semanas, disse que medidas serão adotadas para tentar minimizar os problemas.
Segundo Marina dentro de um mês deverá começar as trabalhar em Amambai, uma equipe que atuará preventiva e repressivamente na cidade e dentro das aldeias de Amambai e região para combater ilícitos e tentar diminuir os índices de violência.
Segundo a chefe do Núcleo a “Equipe Sucuri” como será denominada trabalhará em conjunto com os órgãos de segurança pública que atuam nos municípios, as polícias Civil e Militar e atuará em sistema de plantão, com telefone disponível para a população para receber denúncias.
Essa mesma equipe, segundo Marina Dutra, também estará incumbida de prestar atendimento e socorro a indígenas embriagados e caídos pelas ruas que atualmente permanecem sem qualquer tipo de atendimento por falta de uma equipe para realizar o trabalho.
Cestas básicas- Segundo a chefe do Núcleo da Funai em Amambai, outra ação da Funai que já está sendo praticada, que é a distribuição de cestas básicas, deverá ajudar a diminuir o número de índios pedintes na cidade.
De acordo com a nova chefe, Marina Dutra Vieira, praticamente cada família indígena residente nas aldeias de Amambai já estão recebendo, da própria Funai, uma cesta de alimentos por mês.
Presidente adia a vinda a Amambai– Apesar das medidas que já estão sendo tomadas para amenizar o problema das comunidades indígenas em Amambai e região, segundo a direção da Funai em Amambai, autoridades dos três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, que se deparam diariamente com os problemas envolvendo as comunidades indígenas na região, poderiam cobrar pessoalmente do presidente da Fundação Nacional do Índio, medidas emergenciais para resolver de vez os problemas das aldeias em Amambai.
Poderiam, mas não vão ter a chance, pelo menos por enquanto, já que a visita do presidente ao município que estava prevista para acontecer nesta quarta-feira, dia 7 de maio, foi adiada e uma nova data ainda não foi marcada.








