2008-05-06 10:11:00
Explodiu no Brasil o número de pequenos investidores que operam diretamente e por conta própria no mercado de ações. Mas, especialistas advertem que operar na bolsa não é para principiantes.
Entre um bate-papo e outro na internet, Márcio fica de olho nas cotações dos papéis negociados na Bovespa. Aos 16 anos, ele controla sozinho uma carteira de ações que rendeu mais de 500% desde a primeira compra, há dois anos. “Eu comecei com seis mil hoje eu tenho 32”, conta.
A modalidade conhecida como Home Broker é usada principalmente por pequenos e médios investidores. As operações de compra e venda são feitas pela internet, em sites de 58 corretoras autorizadas pela Bovespa. Nos últimos anos, essa maneira de fazer negócio explodiu.
Em 2005, quase 38 mil investidores operavam via Home Broker. Hoje, passam de 200 mil e respondem por 12% do volume negociado na bolsa. Ao contrário da mesa de pregão das corretoras, onde os clientes contam com assessoria na hora de fechar uma operação, no Home Broker toda a transação é feita sem intermediários. Por isso, segundo os especialistas, esse é um sistema de negociação não recomendado para principiantes.
“Algumas pessoas que têm muita ansiedade acabam utilizando o sistema como forma de se expor a um risco, confundindo muitas vezes até com uma roleta ou um jogo de azar, o que não é certo. É um mercado técnico, é um mercado que exige conhecimento de quem está participando”, explica o gestor de carteiras Juliano Lima Pinheiro.
Com o interesse cada vez maior de pessoas físicas pela bolsa, as corretoras que apostaram no Home Broker comemoram. Numa corretora, o número de acessos ao site dobrou de dois anos para cá. O sócio da empresa alerta para o erro mais comum na hora fechar o negócio: a falta de atenção.
“O cliente pega uma ordem e ele na correria em vez de botar comprando ele bota vendendo a ação.Muito do que acontece é distração”, diz o diretor da corretora, Bernardo Rodarte.
Para o empresário Bernardo Diniz, o risco de cuidar sozinho das finanças compensa. Mas segundo ele, é preciso estabelecer um limite para os prejuízos e saber a hora certa de trocar a carteira de ações. “Eu acho que sempre a decisão tem que ser sua, porque o dinheiro é seu e ninguém vai arcar com qualquer tipo de prejuízo”, acredita.










