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domingo, 17 de maio de 2026

Cresce número de casamentos oficiais no Brasil

2008-05-02 10:39:00

Suzana Machado

As mudanças na concepção de mundo e nos costumes se refletem em todas as áreas do comportamento humano.

A união entre duas pessoas, por exemplo, é um dos fatores que passou e passa por diversas mudanças.

Décadas atrás, o casamento era a grande finalidade da vida, principalmente para as mulheres, que eram criadas e educadas para se casarem. E casar significava ter um lar, ser responsável por ele, ter filhos e dificilmente estudar ou trabalhar fora de casa. Mas a mulher lutou e mudou muitas dessas concepções, buscando seu lugar ao sol junto ao sexo oposto. Logo, casar deixou de ser necessariamente uma prioridade (ou obrigação) e tornou-se opção e planejamento para grande parte dos casais.

Nessa mudança, o casamento oficializado (documentado em cartório e na Igreja) também pôde ser substituído pela união “informal”, o popular “amigar-se”.

A não oficialização da união pode ter vários motivos. Entre eles, a falta de recursos financeiros para arcar com os gastos de um casamento (cartório, Igreja, festa, etc) ou a definição de prioridades. Algumas pessoas preferem investir na estrutura de uma casa e deixar para oficializar o “casamento” depois.

 Aumento de casamentos – De acordo com dados das Estatísticas do Registro Civil, divulgadas no final do ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de casamentos realizados no Brasil subiu 6,5% em 2006, com relação ao ano anterior. O total de casamentos registrados no Brasil, em 2006, foi de 889.828. A pesquisa também mostrou que o número de divórcios no mesmo período cresceu 7,7%.

Esse aumento deve-se muito à realização dos casamentos coletivos, que têm como atrativo a redução dos custos, devido às parcerias entre cartórios, igrejas e prefeituras, fato que resolve, em parte, problemas relacionados à disponibilidade financeira das pessoas envolvidas.

Os dados do Registro Civil, considerando todos os casamentos, mostraram que a idade média dos homens foi de 30,6 anos e das mulheres foi de 27,2 anos na época em que se casam. Outro fato interessante da pesquisa é que entre as pessoas de 60 anos ou mais, a diferença por sexo com relação ao casamento é bem significativa, 3,4% para os homens e 0,9% para as mulheres. Como se sabe que a esperança de vida a partir de 60 anos é favorável às mulheres, percebe-se que existem fatores de ordem cultural e demográfica que fazem com que os homens, a partir dessa faixa etária, se casem mais freqüentemente.

Com relação ao número de separações judiciais, em 2006, foi 1,4% maior que em 2005. A região Centro-Oeste teve um aumento de 9,9% com relação às separações. Esses dados demonstram a mudança ocorrida na sociedade, que passou a aceitar com maior naturalidade o divórcio e acessar os serviços de Justiça referentes ao tema de modo a formalizar as dissoluções que atendem aos critérios estabelecidos, que no caso dos divórcios, são dois anos de separação de fato, para dar entrada no processo de divórcio direto ou de um ano após a separação judicial.

A maior parte das separações concedidas no país foi consensual (quando ambos estão de acordo com o divórcio), 76%. A maior proporção de consensualidade nas separações judiciais concedidas, em 2006, foi observada no Mato Grosso do Sul, 81,8%.

 O município – De acordo com informações do Cartório do 2º Ofício ou Registro Civil, foram realizados 99 casamentos em 2007. Este ano, até o momento, o Cartório já oficializou 40 uniões, o que gera uma média de sete casamentos por mês.

O custo para oficializar a união em um Cartório é de R$ 350,00, para a comunhão Parcial e de R$ 460,00, para a comunhão Universal. Caso os noivos comprovem que não têm condições de pagar esses valores, é feita uma declaração, onde eles pagam somente uma taxa de R$ 53,00, que são para as despesas do Cartório com a publicação no Edital, anotações, averbações e deligências ao Fórum. Este é o chamado “casamento gratuito”.

Para o casamento na Igreja, além de atender às exigências religiosas da entidade onde vão se casar, para algumas instituições é necessário pagar uma taxa.                             No caso da Igreja Católica, é cobrado R$ 80,00 referentes às despesas da Igreja; se a pessoa contribui com o Dízimo, esse valor cai para R$ 50,00. Mas a Igreja também realiza casamentos para pessoas que possuem baixa renda e não têm condições de arcar com o valor. Uma solução está na realização de casamentos coletivos ou comunitários, que também acontecem em Amambai.

 O lado empresarial – O número de casamentos oficializados não se reflete na mesma proporção para os empresários do ramo de festas.

Em Amambai, por exemplo, o número de casais que realizam comemorações de casamento tem diminuído consideravelmente nos últimos anos, de acordo com Aracy Costa, empresária do ramo.

Para Aracy, as pessoas têm deixado o casamento para segundo plano, estabelecendo outras prioridades.

Ao contrário do que manda a tradição, maio, mês das noivas, não é o mês onde se realizam mais casamentos. Os meses mais escolhidos pelos casais para se casarem são dezembro e janeiro, devido a fatores financeiros, como o 13º, por exemplo.

“Teve uma época em que as               pessoas seguiam mais essa tradição, mas atualmente isso não é regra. Para maio, tenho, até o momento, um casamento agendado; antes realizávamos festas deste tipo todos os finais de semana no mês das noivas”, explica a empresária.

De acordo com Aracy, para uma reunião simples e com qualidade, que seria o equivalente a um churrasco, os noivos teriam que desembolsar no mínimo R$ 5 mil. Já para uma festa mais completa com buffet, decoração, cerimonial, fotografias, vestuários e bebidas para cerca de 350 convidados, o casal teria uma despesa de R$ 15 mil a R$ 20 mil.

Aracy concorda que o fator principal na baixa de festas de casamentos realizadas é com relação à questão financeira. “As pessoas casam, mas não fazem festa; deixam a comemoração para uma outra oportunidade, mas então vêm os filhos e essa questão continua em segundo plano.”

Outro fator que a empresária acredita influenciar muito são nos casos das uniões não-oficiais. “Existem casos em que os pais ou familiares pagam a festa. Quando o casamento não é oficial, percebo que existe um certo receio no investimento que pode ser feito em uma comemoração. É como se a oficialização em cartório e Igreja proporcionasse uma segurança maior em torno daquela união.”

Uma opção para quem tem o desejo de casar e realizar uma comemoração é o planejamento da festa. Empresas oferecem planos onde as pessoas começam a pagar a festa alguns meses antes. “Esses planos oferecem parcelas acessíveis, o que propicia aos noivos que no mês do casamento já estejam com toda a festa paga”, explica Aracy.

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