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domingo, 17 de maio de 2026

Editorial “Índio e branco” por Clesio Robeiro

2008-04-30 09:47:00


A convivência entre “brancos” e índios é um assunto que freqüentemente ganha notoriedade. O assassinato de um taxista, ocorrido na última quinta-feira, à noite, cometido por um índio, trouxe indignação à sociedade. Um motivo fútil, banal, sem antecedente, enfim, tirou a vida de um homem trabalhador. Por outro lado, a comunidade indígena é um cliente muito significativo para taxistas e moto-taxistas. Não se pode generalizar uma comunidade por um crime revoltante, mas o fato, novamente, nos faz refletir sobre o futuro dessa convivência.

Amambai tem mais de 25% da sua população composta por índios. Os “brancos” (entre aspas propositalmente para questionar esse título que é dado aos não-índios) têm uma cultura diferente da dos índios. Isso é óbvio, até pelo habitat de cada um, pelos costumes, pela hereditariedade e pela Constituição Nacional. Mas aqui na nossa região a convivência é cotidiana.

Não se pode, de maneira alguma, generalizar uma nação, uma cultura, ou um povo, por atos intransigentes de algumas pessoas. Não são todos os índios que cometem crimes, que saem por aí se embriagando e colocando em risco a sua vida e a vida dos outros, e até cometendo crimes banais. Como no povo “branco”, existem os corruptos, os bandidos, os criminosos, os mal intencionados e os que colocam em risco a vida dos outros.

Ainda bem que os assassinos do taxista estão presos e à disposição da Justiça (parabéns às polícias que elucidaram o caso com rapidez). Mas a vida do trabalhador, do pai de família, foi ceifada. O prejuízo está feito. E não é esse o primeiro caso de crime cometido por índio contra “branco”. E na maioria dos crimes (como este) tem o ingrediente da bebida alcoólica, que é vendida com a participação do homem “branco”.

Na semana passada, a Funai anunciou que vai fazer a demarcação de mais 39 áreas para os índios em Mato Grosso do Sul. Baseado em que as autoridades tomam essa decisão? Onde querem chegar? Será que com mais terras para os índios esses problemas acabarão? É preciso repensar com urgência uma política de resultado para a nação indígena, principalmente na nossa região, onde a convivência com o “branco” é muito próxima.

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