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sábado, 16 de maio de 2026

Cidade mais violenta do país tem apenas 1 policial civil

2008-04-21 11:48:00

Moradores das cidades de Capítan Bado, no Paraguai e de Coronel Sapucaia, em Mato Grosso do Sul, fizeram nesta segunda-feira uma caminhada pela paz. Um grupo de 150 pessoas caminharam pelas ruas fronteiriças, usando camisetas com os dizeres "SOS Paz"

Coronel Sapucaia (396 km de Campo Grande, na fronteira seca com o Paraguai), a cidade mais violenta do país, trabalham na Delegacia de Polícia Civil apenas um escrivão, um policial e uma viatura. Já o delegado Marcius Geraldo Santos Cordeiro não permanece na cidade. A segurança no município fica basicamente por conta da Polícia Militar, que conta em com cerca de 10 homens.

Com 13,7 mil moradores, o município sul-mato-grossense divide os altos índices de violência com Capitan Bado, da qual é separada por uma avenida. Somente neste ano, as duas cidades juntas contabilizam 20 assassinatos. Em 2006, somente em Coronel Sapucaia, foram registradas 13 mortes violentas. Mas os índices já bem foram maiores.

No período de 1998 a 2003, quando o traficante Fernandinho Beira-Mar estava na região, a cidade era mais perigosa, segundo o único jornalista que trabalha nas duas cidades, Valdir Bofinger, do site Capitan Bado. Foram 87 mortes apenas em 1999. Os outros “repórteres” do Capitan Bado, são as pessoas que, voluntariamente, ligam para Bofinger relatando os crimes em troca de ver seus nomes no jornal eletrônico.

O título de cidade mais violenta do Brasil veio com a divulgação do Mapa da Violência nos Municípios 2008, elaborado pela Ritla (Rede de Informações Tecnológicas Latino Americanas) em parceria com o Ministério da Justiça e Ministério da Saúde. A taxa em 2007 foi de 107,2 homicídios por grupo de cem mil habitantes.

A violência é provocada pelo tráfico de drogas e pela guerra pelo poder. “Para nós, maconha é como plantação de mandioca”, afirma o jornalista não-diplomado. A pobreza na região é grande, faltam postos de saúde e empregos. As crianças e adolescentes de Capitan Bado cruzam a fronteira todos os dias para estudar nas escolas brasileiras, onde a merenda é gratuita.

Coronel Sapucaia é um município de viúvas. “Aqui é o paraíso. Se você não tiver metido com a máfia você não morre. O problema é que o fim da estrada, o fim da picada. Nenhum empresário quer colocar indústria aqui”, afirma Bofinger. “A cidade não é violenta, não tem nem polícia”, brinca.

Ele garante que sai de casa no horário que quiser; mas para continuar vivo é preciso tomar alguns cuidados, principalmente na hora de cruzar a fronteira. É que as cidades têm leis diferentes. Em Capitan Bado, por exemplo, é mais seguro andar sem capacete, do que com ele. É necessário mostrar o rosto, para não ser confundido com traficante de algum grupo rival. Quando atravessam a fronteira, dependendo do rumo dos motociclistas, eles retiram ou colocam o capacete na cabeça.

Tensão – O Campo Grande News foi a Coronel Sapucaia e a Capitan Bado em um momento de muita tensão, durante a eleição presidencial paraguaia no domingo. Na cidade, alguns eleitores se recusaram a falar com a reportagem. Outros tentavam manter a máxima discrição possível ao declarar que estavam votando no candidato oposicionista Fernando Lugo, favorito nas pesquisas de intenção de voto.

Policiais paraguaios que trabalhavam nas eleições no Colégio Nacional Hermúnia C. de Grau, em Capitan Bado, afirmaram que não tomaram conhecimento de nenhum tumulto anormal durante as eleições. Cerca de 70 policiais, incluindo grupo de inteligência, a polícia federal paraguaia e o agrupamento especializado, trabalharam ontem naquela cidade

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