2008-04-19 23:14:00
Ignorando os artigos 290 e 293 do Código Eleitoral paraguaio, que dispõem a proibição da realização de atos políticos nas 48 horas que antecedem as eleições, a candidata governista, Blanca Ovelar, reuniu-se com jovens universitários na manhã desta sexta-feira (18), em seu Posto de Comando na capital do país.
De acordo com o jornal La Nación, a ex-ministra da Educação foi recebida aos gritos de “Blanca Presidenta”, em ato que contou, ainda, com a presença de policiais que, ao invés de ouvir comodamente o discurso, deveriam impedir a consumação do mesmo.
“Estamos, queridos amigos, a poucas horas de um grande ato cívico onde os paraguaios e as paraguaias vão demonstrar seu civismo. Há temores, mas sei que o povo é nobre e manso e não vai responder à toa às provocações”, afirmou Blanca, reconhecendo que faltavam apenas “poucas horas” para as eleições.
Entrevista no Elevador- Horas mais tarde, ao dirigir-se a uma reunião com observadores internacionais, Blanca foi abordada, na porta do elevador de um edifício de Asunción, pelo enviado especial do portal G1 em Asunción, Dani Blaschkauer.
Questionada sobre se o Brasil deveria se preocupar com possíveis mudanças no acordo da usina binacional de Itaipu, em seu eventual futuro governo, Blanca deu sua resposta segundos antes do fechamento das portas do ascensor.
"Temos uma relação amistosa e cordial com o Brasil. O Brasil é o nosso maior sócio do Mercosul. Exportamos 60% de nosso produtos para o Brasil, mas o que queremos é uma maior reciprocidade e justiça", afirmou.
Sem Medo de Fraude- Fernando Lugo, principal candidato da oposição paraguaia na disputa presidencial, declarou em entrevista coletiva estar confiante de seu triunfo nas eleições de domingo (20), apesar das denúncias de fraude e das tentativas de intimidação verificadas no interior do país.
"Não acredito em eventuais cenários violentos. Estou convencido de que domingo será uma jornada tranqüila e de que vamos ganhar", afirmou Lugo, citado pela agência AFP. Consultado sobre as propostas de renegociação do Tratado de Itaipu, o candidato reiterou seu discurso:
"A energia não está sendo vendida ao Brasil por um preço justo porque é valor de custo e não o de mercado. Ninguém dá energia a preço de custo. A Venezuela não vende seu petróleo a preço de custo. Assim como o Chile não dá o seu cobre e a Bolívia não vende o seu gás a preço de custo".
Aberto ao Mundo- Lugo declarou, ainda, que seu governo não será marcado pela atual tendência ideológica representada pela esquerda latino-americana, cujos maiores expoentes, na linha “radical”, são o venezuelano Hugo Chávez e o boliviano Evo Morales.
"Hoje se considera de ‘esquerda’ os que estão distantes dos Estados Unidos, os que falam em um ‘socialismo do século XXI’, e os que falam como ‘progressistas’. Nós queremos percorrer nosso próprio caminho mantendo boas relações com todos os países. O Paraguai não cairá na polarização".
"Queremos um país aberto ao mundo e aos grandes desafios da modernidade, e essa é uma das tarefas que realizaremos depois de domingo", afirmou o ex-bispo, rodeado por repórteres paraguaios e estrangeiros mobilizados para cobrir as eleições do país.
Conselho Colorado
Rompendo a barreira de silêncio que o rodeava nas últimas semanas, o ex-vice-presidente e candidato derrotado nas internas do Partido Colorado, Luis Castiglioni, pediu às autoridades do país que respeitem a vontade popular, independente do resultado das eleições de amanhã (20).
Castiglioni disse, ainda, que se candidatará à presidência do partido e que espera que uma mudança de rumos na cúpula da agremiação governista auxilie o Paraguai a encontrar o caminho necessário para trilhar um futuro melhor.
Nicanor Duarte Frutos
Candidato ao Senado, o presidente Nicanor Duarte Frutos disse que aceitará o resultado das eleições, mesmo em caso de triunfo da oposição. “Não podemos nos declararmos como democratas, por um lado, e, por outro, dizer que não vamos aceitar os resultados se estes nos são adversos”, afirmou.
Sobre os temores de distúrbios cívicos, Nicanor declarou que “não posso, nem ninguém, assegurar o comportamento dos indivíduos. Não posso dizer ‘olhe, não vai haver nenhum tipo de desmando ou abuso’. Tampouco nenhum observador internacional pode dizer que ninguém vai tumultuar o processo eleitoral”.
Expectativa Internacional- Para o ex-presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, que coordena uma missão de observadores internacionais no Paraguai, as eleições serão tranqüilas e a normalidade predominará na maioria das zonas de votação, sejam elas urbanas ou rurais.
Sobre as denúncias de que fraudes estariam sendo cometidas por integrantes do Partido Colorado, Pastrana disse que “os problemas aqui denunciados existem em todos os lados”, minimizando o teor das declarações de Lino Oviedo, sobre a utilização de fundos da binacional Itaipu para a compra de votos.
Sem Legitimidade- Ganhe quem ganhe, não terá legitimidade”. Foi o que afirmou, em encontro com representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA), o candidato Pedro Fadul, do Partido Pátria Querida, ao referir-se à acirrada disputa entre Fernando Lugo, Blanca Ovelar e Lino Oviedo.
Na opinião de Fadul, cujas declarações causaram surpresa aos observadores e jornalistas estrangeiros presentes na reunião, os três candidatos são produto de fraudes no processo interno de escolha e violam as leis eleitorais vigentes no Paraguai.
Limpeza das Ruas- Apesar do mundaréu de folhetos e todos os tipos de materiais de campanha que devem ser despejados nas ruas nas próximas horas, funcionários do Ministério Público paraguaio retiram, em Ciudad del Este, faixas e cartazes pregados pelos candidatos nas imediações de colégios e repartições públicas.
De acordo com o Código Eleitoral paraguaio, está proibida a exibição de material de campanha no raio de 200 metros dos locais de votação. Na capital do Alto Paraná, a maior concentração de eleitores será no Centro Regional de Educação (CRE).










