2008-04-12 08:24:00
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em Haia, na Holanda, que determinou aos ministros da Fazenda, da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, que se reúnam para ver quais produtos têm maior influência na inflação para definir uma política especial de incentivo. Na quinta-feira, em outra entrevista, ele atribuiu ao feijão e ao leite a responsabilidade pelo aumento do custo de vida no Brasil. “Não há por que, neste momento, existir qualquer nervosismo.
A economia está bem, a demanda está crescendo, o crédito está crescendo, a produtividade está crescendo, a renda está crescendo. Se você tem um crescimento sazonal de algum produto pode corrigir no próximo trimestre ou quadrimestre. O momento é de menos palpite e mais tranqüilidade para ver as coisas acontecerem”, afirmou.
No seminário que participou em Haia, sobre temas de interesse global, Lula disse que o país está nos trilhos da estabilidade econômica, até porque está combatendo as causas estruturais da pobreza. “Não há combate à pobreza com uma inflação corroendo salários. Mas o crescimento duradouro exige a incorporação dos excluídos ao mercado consumidor”, disse. “Nós não nos isolamos dos problemas da economia mundial, mas estamos aptos a enfrentá-los”.
“Precisamos transformar estruturas econômicas e comerciais. Somente assim surgirão poções produtivas para países que não conseguem competir nos mercados internacionais. Esse é o objetivo da Rodada Doha da OMC (Organização Mundial do Comércio). Cabe aos países desenvolvidos dar um passo na direção de uma liberação eqüitativa que elimine os subsídios agrícolas e outras distorções do comércio mundial”, afirmou. “Queremos que o processo negociador alcance um acordo que seja equilibrado e faça jus ao mandato da rodada do desenvolvimento”, acrescentou.
A poucos dias da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central que pode elevar a taxa básica de juros, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, rompeu o silêncio que vem guardando há duas semanas e falou sobre inflação em Washington, onde acompanha a reunião anual do Fundo Monetário Internacional. O ministro voltou a afirmar que a inflação no país está sob controle, apesar do aumento esporádico que os índices de preços vêm registrando nos últimos meses.
“O Brasil está muito bem colocado na questão da inflação. Em matéria de controle, vai muito bem. O sistema de metas está sendo muito bem administrado. A inflação está dentro da meta”, disse. Na avaliação do ministro, a “pequena elevação” dos últimos meses se deveu a um choque de oferta de produtos agrícolas no mercado internacional e não a um problema estrutural no país. “Estamos em situação favorável em relação a outros países que têm meta de 3,5% ou 4% e que estão com inflação de 6,5%, 7% ou 8%.”
Mantega lembrou que a inflação acumulada em 12 meses tem oscilado próximo ao centro da meta, que é de 4,5%. Analistas acreditam que a escalada do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que foi de 0,48% em março, atingindo 4,73% em 12 meses, praticamente definiu o resultado da reunião do Copom na semana que vem. Os diretores do BC devem aumentar a Selic em 0,25 ou 0,50 ponto percentual porque vêem sinais de que o aquecimento do consumo no país está gerando inflação. Mantega discorda dessa avaliação.










