2008-04-06 15:14:00
Camponeses sem-terras da região de Curuguaty, na fronteira seca com o Mato Grosso do Sul, apesar de reivindicar as terras de brasileiros para a reforma agrária, vendem seus títulos de propriedade a outros produtores da mesma nacionalidade. É o que informa o Diário Última Hora.
A constatação saiu de encontro entre lideranças dos movimentos sociais locais e o diretor do Indert (Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural e da Terra), Héctor Daniel Cardozo, na última quinta-feira, dia 03, na mencionada localidade fronteiriça. Segundo os próprios líderes, ao conquistar suas terras, 90% dos até então sem-terras as repassam adiante.
Entre os fatores apontados para a ocorrência deste fenômeno, estão os valores acima de mercado oferecidos por produtores de soja e a falta de apoio estatal aos recém-empossados.
Para minimizar o problema, Ana Mujica, dirigente camponesa, sugeriu que o Estado habilite serviços de acompanhamento aos produtores e proporcione a instalação de serviços básicos, como a melhoria dos caminhos rurais, redes de água, luz, hospitais e escolas.
A situação seria especialmente crítica nos municípios de Curuguaty, Corpus Christi, Ypehú, Ygatimí e Yasy Kañy, onde é cada vez maior a presença de grandes proprietários brasileiros, interessados na pecuária ou na agricultura empresarial, com o cultivo de grandes extensões de soja e o uso de agrotóxicos proibidos.
Sobre a situação jurídica destes proprietários, o diretor do Indert opinou que “eles estão ocupando de forma legal, porque possuem documentos que comprovam a compra e alguns já têm filhos paraguaios, nascidos aqui, e têm seus respectivos documentos de identidade em ordem”.
A disputa entre fazendeiros de origem brasileira e camponeses paraguaios é um dos principais fatores de tensão no campo, ocasionando distúrbios e protestos, especialmente, na região fronteiriça com o Brasil e no interior do departamento (estado) de San Pedro.










