2008-04-04 14:17:00
A Volkswagen deve assinar o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) proposto pelo DPDC (Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor), do Ministério da Justiça, que inclui a realização de um recall do modelo Fox. O pedido foi feito após denúncia de que o manuseio do banco traseiro teria machucado e até mutilado dedos de usuários.
A empresa ainda terá que responder ao DPDC, mas segundo apurações, ela não vai encarar uma disputa judicial e pode pedir entre 15 e 30 dias para preparar o maior recall de sua história no Brasil, com até 477 mil veículos –o segundo maior da indústria.
Ao assinar o TAC, a montadora se compromete a realizar o recall e apresentar uma solução técnica para eliminar qualquer risco à segurança dos usuários, conforme determina o DPDC. Ela também terá de pagar uma multa de R$ 3 milhões ao governo por ter colocado os consumidores em risco.
No comunicado de anteontem, a empresa já dava sinais de que aceitaria a proposta do governo ao afirmar que estava disposta a "definir uma solução que atenda às autoridades e aos usuários do modelo Fox".
Além de apresentar ao DPDC a solução para o usuário, a empresa também deverá discutir se fará o recall de todos os 477 mil modelos vendidos no Brasil entre 2003 e 2008 (incluindo Fox, SpaceFox e CrossFox). Entre 65% e 70% do mix têm o banco traseiro inteiriço, como os que provocaram os acidentes. Os demais têm o banco fixo ou bipartido, como os exportados para a Europa.
O acidente acontece quando o usuário tenta aumentar o espaço do porta-malas, rebatendo o banco traseiro. Para a operação, é preciso puxar uma alça embaixo do banco para deslocar o encosto do assento. O risco existe quando o motorista encaixa o dedo na argola desta alça.
A empresa tem até o dia 12 de abril para responder ao DPDC. A solução, no entanto, não deve ser a borracha que a empresa tomou a iniciativa de oferecer para evitar "eventuais erros na operação de rebatimento do banco traseiro" –e que também não seria aceita pelo DPDC.
O recall elimina os processos nos órgãos de defesa do consumidor, mas não os movidos pelos usuários na Justiça para reparação de danos. De oito casos reconhecidos pela empresa, cinco já assinaram acordo. A empresa não revela os detalhes, mas a Folha Online apurou que os valores estariam, em média, em R$ 80 mil.
A montadora informou que tem um site com informações detalhadas sobre a operação de ampliação do porta-malas do Fox e um telefone para esclarecimentos (0800 019 8866), disponível de segunda a sexta, das 8h às 22h, e aos sábados das 8h às 14h.










