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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Periscópio “O Iluminado das trevas” – por Antonio Luiz

2008-04-04 10:55:00

O Iluminado das trevas

Estou com a pulga atrás da orelha. Minha perplexidade só não é maior porque vivo num país chamado Brasil. Mas, às vezes me pergunto se eu vivo no mesma realidade das outras pessoas. Ando pela rua, converso com uns e outros e não consigo encontrar nem dez por cento de pessoas que aprovem o governo Lula. Será que estou viajando por outra galáxia ou os lulistas se escondem mesmo e só aparecem para os pesquisadores, se é que eles existem. Há um ano as pessoas diziam que o Lula não tinha culpa de nada; evidentemente os mais esclarecidos não compactuavam com esse raciocínio simplista. Era um presidente da República cercado de malfeitores.

Mas as pesquisas de opinião devem estar falando com todos os grupos de pessoas com quem não tenho contato algum. E com nenhuma pessoa dos grupos dos quais me aproximo para fazer minha pesquisa pessoal.

Quem são as pessoas pesquisadas? Será que aqui no Mato Grosso do Sul alguém já respondeu a um questionário sobre política? Ou será que as entrevistas foram feitas apenas nos acampamentos do MST e entre os mutuários da Bolsa Esmola?

Na verdade, nunca encontrei alguém que alguma vez tivesse sido entrevistado por estes pesquisadores. Estranho não é? Em toda a minha vida, que não é curta, não conheci nem uma pessoa que tenha sido pesquisada. Já vi aquelas pesquisas que costumam pipocar pela nossa região para se escolher a melhor padaria ou o melhor picareta, mas cujo diploma vai para quem se dispõe a pagar. Essas não valem. São apenas pesquisas mercenárias.

Um presidente que mal sabe ler, é rancoroso e belicoso, que investe sua fúria contra aqueles que não concordam com seus atos egocêntricos e megalomaníacos, não pode ter 58 por cento de aprovação. Mesmo distribuindo o “Bolsa-Esmola”. Há algo nesses números, além da verdade. Mas o maior malefício dessas pesquisas é que Lula crê piamente que “aqueles” índices de popularidade são uma espécie de salvo-conduto, de que a ele tudo é permitido. Sente-se – e isso é um perigo – um iluminado.

Um governo que tem mais escândalos no currículo do que qualquer outro na história “dessepaiz”. Uma gente capaz de usar a máquina pública, pagar com o dinheiro do contribuinte para preparar dossiês contra seus adversários, é capaz de tudo. São mentirosos compulsivos. Nunca se mentiu tanto como agora. A moral e a ética simplesmente desapareceram da vida desses desavergonhados, se é que algum dia eles tiveram esses dois predicados.

O dossiê produzido para chantagear a oposição é uma das coisas mais repugnantes que o governo conseguiu fazer. E olhem que eles são peritos em vilanias. Pior ainda, porque negam o que todos sabem. Mentem para o povo, usam desculpas para o ato torpe e são desmentidos até pelo Tribunal de Contas da União. Não há limites para sua estultice. Já que vivem às custas do povo, deveriam estar em presídios e não nos palácios.

Se o Brasil, um dia, foi o país do futuro, hoje é o país dos dossiês. A cada escândalo, o governo responde com um. Quando o parlamentar passa a incomodar o governo com suas críticas, logo entra em ação o eficiente departamento dos dossiês. A resposta governamental nunca é no campo da política, no espaço do debate parlamentar. Pelo contrário, é com base em ameaças, em não-ditos, em insinuações, em chantagem. Aloprados à disposição é o que não falta no entorno do presidente.

A política nacional virou um folhetim de décima categoria com um final mais do que previsível: a não apuração das denúncias, o governo incólume e a dita oposição sem rumo. Os políticos estão completamente desmoralizados diante da opinião pública. Os rompantes do presidente e as respostas cada vez mais tímidas da oposição produzem um ambiente propício às bravatas e ameaças lulianas. Neste cenário tranqüilo, navega o sr. Luiz Inácio rumo ao terceiro mandato ou, como vem dizendo, para “fazer o meu sucessor”. Ou seja, é o vencedor nas duas hipóteses.

Isso permite a Lula faltar constantemente com a verdade. Sabe que nesse cenário pode defender Severino Cavalcanti, dizer que o deputado foi vítima das elites e transformá-lo em mártir. Pode elogiar Paulo Maluf e recebê-lo no Planalto, assim como fez com o ex-presidente Fernando Collor e com o “amigo” Renan Calheiros. Pode nomear Edison Lobão para o Ministério das Minas e Energia e dizer que não há nada que o desabone. Como se sua palavra fosse suficiente para estabelecer um julgamento. Aliás, sabemos que Lula é um desastre, especialmente quando se trata de julgamentos. Basta lembrar as defesas que fez de Roberto Jefferson, Zé Dirceu, Palocci, Delúbio, Gushiken e outras excrescências com as quais o ínclito Partido dos Trabalhadores nos brindou nesses anos de trevas morais.

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