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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Lula quer evitar protestos durante visita ao MS nesta terça

2008-03-17 05:03:00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta convencer movimentos sociais a não realizar protestos com relação à mudança na direção regional do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) no Estado durante sua vinda a Mato Grosso do Sul, nesta terça-feira (18), para vistoriar obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

A precursora da Presidência de República, já no Estado, realizou na tarde desse sábado (15) reunião com dirigentes das quatro entidades que eram contrárias à mudança para pedir que não realizem protestos. O encontro ocorreu na sede da Fetragri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Mato Grosso do Sul). Além da Fetagri, estiveram representados o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a FAF (Federação da Agricultura Familiar).

O secretário-adjunto da Presidência, Geraldo Magela, garantiu em entrevista ao Midiamax que o presidente mantém a agenda no Estado, independente dos possíveis protestos. A previsão de chegada é às 9h45 e retorno à Brasília (DF) por volta do meio-dia.

Magela disse, porém, que embora tenha havido o pedido aos dirigentes para que não realizassem manifestações, não houve o compromisso da parte dos movimentos. A versão é sustentada também pelos dirigentes.

Aos movimentos foi pedido que tendo em vista a importância que tem a conquista – as obras do PAC – o momento é para celebrar o benefício para as comunidades atendidas.
Insatisfação

O presidente do MST em Mato Grosso do Sul, Egídio Brunetto, falou que a posição dos movimentos para a Presidência foi a seguinte: “que Lula e o governo nos traiu”. Segundo o dirigente, a presidência da República deve pensar que os sem-terra servem somente para votar. “O Lula autorizou uma raposa para cuidar do galinheiro”, disse ainda.

Na quinta-feira passada (13), foi publicada no DOU (Diário Oficial da União) a nomeação de Flodoaldo Alves de Alencar e a exoneração de Luiz Carlos Bonelli da Superintendência Regional do Incra. Bonelli é filiado ao PT e era indicado do deputado federal Vander Loubet (PT). Já Flodoaldo foi indicado pelo senador Valter Pereira (PMDB) e sucede o petista que ficou no cargo por cinco anos.

Egídio Brunetto chegou a dizer que “deve haver” protesto, entretanto, não afirmou. Ele disse que os movimentos sociais deixaram claro para o governo federal a insatisfação com relação à mudança.

Espaços– A precursora teve também reunião com dirigentes do PT, na sexta-feira (14). O presidente do diretório do partido, deputado estadual Amarildo Cruz, disse que o partido também verbalizou para o governo federal a insatisfação. Porém, quanto à legenda, está descartada a promoção de protestos.

O parlamentar disse que demonstrou preocupação com a situação do partido nos órgãos federais no Estado. Segundo ele, o governo está demonstrando opção pelo PMDB e esquecendo o PT. O deputado citou a Superintendência da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), em que o PT perdeu espaço para o PPS (com a chancela do governador André Puccinelli); o Incra e o Ibama (Instituto Nacional de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), que o PT também pode perder. O petista David Lourenço foi nomeado para o cargo, porém, teve a cedência do governo estadual suspensa no dia seguinte à nomeação.

Mas, Amarildo disse que os movimentos sociais, embora tenham vínculo com o partido, respondem por seus atos, têm autonomia.

Constrangimento– O secretário estadual de Habitação, Carlos Marun, disse esperar que os movimentos atendam ao pedido do Presidência e não realizem protestos. Mas, segundo disse, ele não tem conhecimento de nenhuma outra orientação do Estado para a polícia a não ser a de contribuir para a segurança do presidente Lula e evitar constrangimento.

Marun disse que a expectativa é de que o ato reúna cerca de 1,5 mil pessoas na Vila Popular. O presidente Lula não deverá cumprir agenda em outro local, exceto no bairro. Vindo para Mato Grosso do Sul especialmente para o evento, a comitiva de Lula desembarca na Base Aérea de Campo Grande, segue para o ato e retorna, em seguida, para Brasília.

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