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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Campeã da violência, Cel. Sapucaia só tem oito policiais

2008-03-12 10:46:00

Com um delegado, três investigadores de polícia, quatro policiais militares por plantão e sem nenhum soldado do Corpo de Bombeiros, a população de Coronel Sapucaia, que exibe o triste título de campeã nacional da criminalidade, enfrenta a dura realidade de quem vive sob fogo cruzado. Pistoleiros a serviço do tráfico cruzam a fronteira – delimitada por apenas uma avenida, a Flávio Derzi, que separa Coronel Sapucaia de Capitan Bado, no Paraguai – para executarem seus desafetos, geralmente bandos rivais no negócio sujo da droga.

Em meio ao tiroteio sobram balas para vítimas inocentes e histórias tristes de quem convive com o medo e a insegurança.

Não é a toa que o megatraficante Fernandinho Beira-Mar, preso na Penitenciária Federal de Campo Grande, escolheu esse trecho da fronteira para se estabelecer. Beira-Mar utilizava até aviões para transportar a droga. Comprou fazendas e pensava em se tornar um grande criador de gado.

O governador André Puccinelli disse, ontem, durante visita à Colônia Penal Agrícola, na Capital, que o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Jacini, tem mantido conversas com o governo paraguaio sobre a problemática. “Ali como em toda a fronteira temos problemas”, disse Jacini por sua vez.

A Polícia Nacional do Paraguai faz a cavalo a guarnição da fronteira, do outro lado da fronteira. Depois de um atentado em que morreram um vereador e mais duas pessoas o esquema de segurança foi reforçado, segundo fontes de Coronel Sapucaia. São 90 policiais e 70 homens do Exército paraguaio divididos em três patrulhas.

No entanto, no meio do pacote de R$ 30 milhões previstos para a segurança pública para este ano, não há projeto voltado para a região de Coronel Sapucaia.

Puccinelli disse que existe um pedido de criação de uma comarca na cidade, que hoje está na jurisdição da comarca de Amambaí. O TJ-MS (Tribunal de Justiça – Mato Grosso do Sul) não tem previsão de instalação de uma comarca em Coronel Sapucaia, segundo informações da assessoria do órgão.

Das 78 cidades do Estado, 54 têm comarcas. São ao todo 162 juízes.

Crise  –
A crise no Paraguai veio à tona no fim de semana quando o intendente da cidade paraguaia Capitan Bado, Joge Martinez, de 38 anos, questionou a polícia do país vizinho, a Senad (Secretaría Nacional Antidrogas), pela ausência dela na região.

Capitan Bado é conhecida por ser uma das maiores produtoras de droga, inclusive por ser base de ação do narcotraficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.
Martínez disse ainda que a polícia, os fiscais, a equipe da imigração e aduanas recebem dinheiro para não efetuarem as prisões.

Em matéria publicada no site www.capitanbado.com, Martinez criticou o fato da policia paraguaia, Senad, não ter um quartel na localidade que fica no Departamento de Amambay.
O bispo de Amambay e Concepcion, Zacarias Ortiz, lamenta a situação. “Em Capitan Bado há uma situação irremediável porque o narcotráfico entrou profundamente e não somente entre os grandes empresários ‘narcos’ como também entre os campesinos”.

Execuções –
No dia 7 de dezembro, o menino de 11 anos Inocêncio da Silva Roble foi encontrado morto no Bairro Vila Nova, em Coronel Sapucaia. Ele era aliciado por traficantes, fazia pequenos furtos na vizinhança e usava crack (porção dispensada no refinamento de cocaína). O caso ainda está entre os não elucidados do lado brasileiro.
Coronel Sapucaia tem 14 mil habitantes. A delegacia trabalha somente com três agentes da Polícia Civil e um delegado.

Do lado paraguaio, na cidade de Capitan Bado, a venda indiscriminada de entorpecentes torna alvo fácil de traficantes as crianças e os adolescentes.
Já no lado paraguaio, o vereador Epifanio Palácios, de 53 anos, foi executado na quinta-feira (6) junto com o genro, Pedro Paulo Candia Leon, de 27 anos, e Blás Antonio Espindola, vendedor que encontrava fazendo entrega no mercado da familia Palácios, onde foram executados na cidade de Capitan Bado.

O sepultamento teve que ocorrer em Pedro Juan Caballero ao invés de Capitan Bado por conta de ameaças de bombas.
Ainda em Capitan Bado, no dia 2 de março, sete pessoas morreram nos fundos de uma residência, a cem metros da fronteira com Coronel Sapucaia. Um grupo de pessoas estava jogando baralho nos fundos de uma casa quando foi surpreendido por seis homens mascarados e fortemente armados com metralhadoras. Os homens teriam disparado mais de 200 tiros contra os sete homens que estavam jogando em uma mesa.

No pátio também havia crianças brincando, mas não foram atingidas. As vitimas foram executadas com mais de 15 tiros no corpo. Os atiradores depois de fuzilar todos ainda disparam um último tiro com uma arma de grosso calibre, possivelmente de M-16.

No local morreram cinco pessoas. Duas foram levadas ao centro de saúde, mas morreram no caminho. As vítimas foram Emigdio Duarte Saavedra, Heriberto Bordón Cordozo, Claudio Escurra Rodriguez, Maciel Gomez Maritinez, Martin Paredez, Cristobal Cubilla Peralta e Angel López. Todos são paraguaios, moradores de Capitan Bado.
Ontem, vereadores do Departamento de Amambay fizeram reunião para discutir o problema. Eles têm medo já que uma das vítimas era parlamentar paraguaio.

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