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Aos 61 anos, Stallone "ressuscita" Rambo

2008-02-23 04:24:00

"Viver por nada ou morrer por algo. Vocês escolhem". A frase de John Rambo, interpretado pelo vovô Sylvester Stallone, 61, para mercenários contratados para resgatar um grupo de missionários em Mianmar (antiga Birmânia), retrata o que pensam aqueles que nascem para matar: a guerra estará sempre no sangue.

E é esta a lógica que faz Rambo voltar a uma zona de conflito 20 anos depois do último filme, "Rambo 3" (1988), onde o herói resgata um amigo no Afeganistão invadido pelos soviéticos.

Para encerrar a trajetória de um dos mais conhecidos personagens do cinema, Stallone queria um conflito desconhecido. Nada de Darfur, Iraque, Colômbia ou Afeganistão. "Perguntei para a revista ‘Soldier of Fortune’ e para as Nações Unidas qual seria o mais devastador abuso dos direitos humanos e o menos divulgado do mundo, e me disseram que era Mianmar", explicou o ator, diretor e roteirista de "Rambo 4" em entrevista durante as filmagens.

No filme, que estréia nos cinemas brasileiros na próxima sexta-feira (29), o guerreiro solitário, recolhido na Tailândia, é um barqueiro no rio Salween, o mais longo rio da Ásia e localizado na fronteira com Mianmar. Na região ocorre a mais longa "guerra civil": há 60 anos, a tribo Karen luta contra o Exército pela independência da minoria étnica, em meio a uma onda de repressão, assassinatos, torturas, mutilações e execuções orquestradas pelos militares, que comandam com mãos de ferro o país desde 1962, quando um golpe de Estado derrubou o governo civil.

Com ação do começo ao fim, mantendo o espectador atento, Stallone está com a fisionomia cansada em "Rambo 4", mas mantém o pique dos filmes anteriores, até mesmo nas partes em que questiona o seu destino como matador. A produção não traz apenas "mais do mesmo", com a violência pela violência, mas tem uma mensagem política, em conversas onde Rambo diz acreditar que só remédios e ajuda humanitária podem acabar com as guerras.

Vivendo com simplicidade nas montanhas após ter desistido de lutar, Rambo é procurado por missionários cristãos que o convencem a guiá-los pelo rio Salween acima, a única porta de entrada em Mianmar. Nas mãos de Stallone, Sarah (Julie Benz), Michael Bennett (Paul Schulze) e outros médicos chegam a salvo a uma localidade da tribo Karen para distribuir ajuda humanitária, mas são capturados pelo Exército.

Rambo reluta, mas encara a última missão: levar mercenários contratados pela igreja cristã para resgatar os missionários norte-americanos. Um integrante da União Nacional Karen (UNK), guerrilha com maior capacidade militar do país, os conduz até a região onde a tribo fora dizimada e os pregadores presos.

Cabeças decepadas, corpos mutilados sendo consumidos pelas moscas, pernas amputadas e pessoas em chamas. O horror e a destruição assustam até mesmo os ex-combatentes da guerra do Vietnã, que relutam em continuar. Soldados transformam os birmaneses em brinquedos, e apostam qual dos capturados sobrevive a uma corrida em campo minado.
E eis que surge Rambo, o "exército de um homem só", matando todos os soldados e orquestrando um plano para o resgate dos missionários na base com cerca de 500 homens de infantaria do Exército.

Em meio à violência da realidade no interior de Mianmar, Rambo cumpre a incumbência de salvar os missionários, degolando com as mãos um militar que tentava estuprar a mocinha do filme, Sarah, e matando seu arqui-rival, um general sádico que aproveita para fumar enquanto observa a matança promovida por seus comandados.

Com perfeito jogo de luzes e cenas emocionantes, "Rambo 4" denuncia um conflito ignorado pelos holofotes e que voltou às manchetes em junho de 2007, quando o Exército birmanês reprimiu com violência manifestações de monges budistas contra os abusos aos direitos humanos e à liberdade no país. O mundo viu imagens de corpos mutilados boiando em rios e um fotógrafo sendo assassinado durante passeata nas ruas. A ONU foi impedida de investigar os abusos e a crise continua até hoje.

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