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segunda-feira, 11 de maio de 2026

MS: Campanha da Fraternidade será lançada no domingo

2008-02-09 20:34:00

“É difícil defender, só com palavras, a vida, ainda mais quando ela é  esta que vê, severina” (João Cabral de Melo Neto)
                               
  Nascido há 12 dias, João Antônio ainda não sabe, mas venceu a morte. O bebê já é o grande companheiro da mãe, a universitária Mariana Oliveira da Silva, de 25 anos, que na terceira semana de gestação cogitou fazer um aborto. Após cinco anos de namoro, fragilizada pelo súbito afastamento do pai da criança e priorizando a vida profissional, a jovem acreditava que não era o momento de ser mãe.

Já de posse da “receita” para um aborto, faltando apenas conseguir o medicamento abortivo, o que não seria muito difícil visto que é estudante de enfermagem, Mariana decidiu procurar auxílio da Casa de Apoio Maria de Nazareth, na igreja São José. O gesto salvou a vida de João Antônio.  “Foram muitos calorosos, receptivos. Além de ajudarem as pessoas mais humildes”, enfatiza a jovem mãe.

O apelo em nome da vida norteia a Campanha da Fraternidade, que será lançada amanhã em Campo Grande. Com o lema “Escolhe, pois, a vida”, a 45ª campanha promovida pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) pretende chamar a atenção para temas como aborto, violência urbana e situação do sistema carcerário. Em síntese, circunstâncias onde a vida humana vale muito pouco.

Há 15 anos, a casa de apoio defende a vida pela força da palavra. Em geral, as mulheres são atraídas por um anúncio de jornal relacionado a aborto. “Elas ligam para saber preço, perguntam se é uma clínica, se tem médico”, cita Elizabeth Monteiro de Barros, coordenadora do projeto. Segundo ela, após o fechamento da clínica de planejamento familiar, local conhecido pela prática de aborto ilegal (a prática só não é crime quando autorizada pela justiça), a procura só faz crescer.

Entre 14 de dezembro e 5 de fevereiro, foram 400 ligações. Em 2007, 307 mulheres procuraram o serviço de apoio após o contato por telefone. O projeto já atendeu mães de 12 a 40 anos. Dentre os motivos para o aborto figuram problemas sócio-econômicos e abandono do companheiro. “Elas ligam tão decidida a fazer. Para mim, é a desvalorização do ser humano. Como se a criança fosse um objeto descartável”, enfatiza Elizabeth de Barros.

Tortura – Por sua clientela, os presídios parecem ser incompatíveis com valores como dignidade humana e defesa da vida. “As pessoas não têm mais percepção do que está acontecendo. Não percebem que é desumano pôr 42 pessoas numa cela. Na verdade, a superlotação é uma tortura”, denuncia Eduardo Nakao, integrante da Pastoral Carcerária. Sobre o “mundo das prisões”, a campanha da Fraternidade de 2008 lembra que são recintos desumanos e incapazes de reeducar.

Segundo Eduardo Nakao, a falta de investimento de recursos no sistema carcerário contribui para que a sociedade acredite que os internos não têm recuperação. No Brasil, Minas Gerais, por meio da Apac (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados), é exemplo no processo de ressocialização. “O projeto existe há mais de 30 anos e é referência mundial. Ele mostra que é possível”, avalia. Ao administra os presídios, a entidade aplica metodologia que inclui trabalho, apoio psicológico e jurídico, participação de voluntários e contato constante com a família do preso. “O presídio é o fundo do poço e só há dois caminhos: ou se recupera ou sai pior”.

Celebração – Na Capital, a Campanha da Fraternidade será aberta pelo bispo Dom Vitório Pavanello. A celebração acontece às 15h de amanhã, no ginásio poliesportivo Dom Bosco. “A campanha é contra tudo que atenta à vida humana. A igreja defende o processo da vida, com nascimento, crescimento e morte natural”, salienta o padre Adailton Miorin, da assessoria de comunicação da diocese. 

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