2008-02-08 17:13:00
Em Ponta Porã, na fronteira com Pedro Juan Caballero, Paraguai, as autoridades policiais das duas cidades registraram quatro assassinatos com características de pistolagem em um espaço de 24 horas.
Depois de registrar na manhã de quarta-feira a morte de Ricardo Cáceres Gómez, com diversos golpes de machete, em uma das ruas de Pedro Juan, a polícia paraguaia registrou mais duas na manhã de ontem, tendo como vítimas, um ex-policial e um suposto assaltante, após os dois serem dominados por um grupo de pistoleiros.
Na noite de anteontem em Ponta Porã, as polícias Militar e Civil registraram a morte de um dos filhos de um ex-governador paraguaio, que também foi morto a tiros há quase dois anos e da atual candidata à deputada pelo Departamento de Amambay, pelo Partido Colorado, Mami Villaalta.
No homicídio ocorrido por volta das 23h45 em Ponta Porã a vítima Walter Martin Villalta, de 26 anos, foi executado com pelo menos 20 tiros de pistola nove milímetros e de fuzil, na porta da Pizzaria Egipcius, que fica situada à rua 7 de Setembro, no centro da cidade.
No atentado contra Walter Villalta, Marlon Daniel Duarte Escobar, 19 anos, que estava na companhia do rapaz saiu ferido e após receber os primeiros cuidados médicos no Hospital Regional de Ponta Porã, foi encaminhado para o Hospital Regional de Pedro Juan por uma equipe da Polícia Nacional do Paraguai.
Walter Villaalta segundo testemunhas, foi morto por um grupo de desconhecidos que estava em um Fiat/Strada e uma camioneta Ford F-250, ambas de cores escuras. Os pistoleiros se aproximaram do rapaz que estava em uma camioneta Chevrolet S-10, sem placas e passaram a efetuar os tiros na direção dele.
Mesmo ferido, Walter Villaalta ainda tentou fugir, saindo da camioneta pela porta do carona, porém caiu na frente da pizzaria. Os pistoleiros para consumar o atentado deram marcha-ré na caminhonete e efetuaram mais disparos no corpo e na cabeça do rapaz e em seguida fugiram em alta velocidade provavelmente em direção ao Paraguai.
Quanto ao acompanhante de Walter Villaalta, Marlon Escobar, ele sobreviveu ao atentado, encontra-se internado sob forte esquema de segurança no Hospital Regional de Pedro Juan, uma vez que tanto a polícia brasileira como a paraguaia, acreditam que ele possa ajudá-los a identificar os pistoleiros. Com relação a Walter Villaalta, a violência envolve a família dele desde o ano de 2005 na fronteira, já que segundo a polícia paraguaia, o rapaz era acusado de ter assassinado um comerciante que era dono de um posto de combustível de Pedro Juan, após ter emprestado dinheiro para a vítima.
Além do rapaz, o pai dele, o advogado Faustino Villaalta, muito conhecido por fazer defesa de narcotraficantes e mafiosos que atuam na fronteira, foi fuzilado com vários de pistolas no dia 22 de outubro de 2006, entre as ruas Cerro Leon e Alberdi, em Pedro Juan, por dois pistoleiros que estariam em uma moto.
A execução do advogado segundo informou a polícia, teria ligação com a prisão de um outro filho, Christian Villaalta, em Bella Vista Norte, após o rapaz ser flagrado com uma carga de cocaína.
Um dos acusados de ter matado o advogado, de acordo com a polícia paraguai seria o pistoleiro Mário Fleitas Montiel, também morto durante uma emboscada em Pedro Juan um ano depois.
Ao ser baleado, o pistoleiro, antes de morrer, disse aos policiais que faziam sua escolta no hospital em Ponta Porã que pelo menos quatro pessoas poderosas estariam na lista para serem assassinadas na fronteira e esta revelação levou a polícia a ligar a morte do advogado com a do ex-prefeito de Pedro Juan, Julio “Kapelú” Benítez, que também foi morto a tiros de pistolas.
Mário Fleitas disse aos policiais que havia sido contratado para matar os dois políticos e que havia “convidado” o ex-policial paraguaio Derlis Michel Franco, que estaria foragido do presídio regional de Pedro Juan e o brasileiro Fávio Rodríguez para participar das empreitadas.
DUPLA EXECUÇÃO
Além do assassinato de Walter Villaalta no lado brasileiro, na manhã de ontem em Pedro Juan Caballero mais duas pessoas foram executadas a tiros em uma estrada vicinal em Pedro Juan, com uma delas sendo torturada antes de receber os disparos.
Nas primeiras informações, uma das vítimas, Dario Esteban Rivas, que de acordo com a polícia teria antecedentes por ser um suposto assaltante que estaria agindo na cidade, foi morto dentro de um Fiat/Pálio, enquanto seu acompanhante e condutor do veículo, o ex-policial Ever “Magro” Hugo Sanabria, o “Pyo”, foi seqüestrado e levado para uma outra estrada vicinal, onde após torturado, também foi fuzilado com vários tiros.
Através de testemunhas a polícia paraguaia apurou que as vítimas trafegavam com o Fiat/Pálio pelas ruas do bairro Santa Tereza, quando foram interceptados por um grupo de homens que estavam em uma Chevrolet S-10, cor preta.
O grupo, ao descer da camioneta, rendeu o ex-policial após dar um tiro em direção ao Fiat/Pálio, em seguida mataram Dario Esteban no local. Ever “Magro” Hugo foi colocado na camioneta e saiu com o grupo em direção a Colônia Mafussi, e em uma estrada vicinal foi executado com vários tiros de pistolas, após ser torturado. (Diário MS)








