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segunda-feira, 11 de maio de 2026

MS:Em 5 anos 80 crianças índias morreram por doenças

2008-02-08 00:14:00

Em cinco anos, 80 crianças indígenas morreram em Mato Grosso do Sul vítimas de desnutrição ou de doenças associadas à inanição, segundo o site Midiamax News. Quanto mais pessoas nas aldeias mais crianças passam fome, segundo a análise do coordenador da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), em Dourados, o médico Zelik Trajber.

O escândalo que ganhou repercussão internacional foi registrado no ano de 2005 na região Sul do Estado quando 37 crianças índias morreram. Três delas vítimas de desnutrição e as outras por doenças associadas. Em 2004 foram 15 óbitos, ou seja, no ano seguinte o número de morte chegou a 146%.

Em 2006 foram 14 mortes por doenças relacionadas à inanição e no ano passado, 14 crianças faleceram. Três por desnutrição grave e onze em decorrência de outras endemias.

Abandono- Embora a questão fundiária, o confinamento das populações indígenas, em especial a guarani que vive na região Sul, seja apontado pelo especialista em saúde indígena como o cerne do problema, os paliativos adotados pelo governo federal parecem ineficazes.

No dia 7 de janeiro de 2008 mais uma criança guarani morreu na aldeia Bororó com traços de desnutrição severa. A reserva fica situada em Dourados, a 228 quilômetros de Campo Grande e reúne 11 mil índios em 3,5 mil hectares.

O menininho de 1 ano e nove meses que deveria pesar 11 quilos e ter no mínimo 84 centímetros, morreu com características de um bebê de 8 meses. O indiozinho pesava 6,9 quilos e tinha 68 centímetros. Ele teve broncoaspiração, ou seja, aspirou o vômito e faleceu sufocado.

Filho de uma índia jovem que cuidava da criança longe do pai, a mãe dispensou o leite materno, importante anticorpo infantil. “Embora o aleitamento seja comum entre as mulheres índias ainda há aquelas que resistem a amamentar. Vários são os fatores que influenciam uma situação problemática como a dessa criança, uma delas a desestrutura familiar. Ele não tinha o pai. A gravidez indesejada influência toda a saúde da criança”.

Trajber disse ao Midiamax que a criança foi submetida à 1 ano de tratamento no Hospital da Missão Caiuá, em Dourados, o Centrinho. Lá, 21 crianças índias estão internadas. Hoje em toda a região Sul são 1,3 mil crianças de zero até 5 anos e destas, 18 apresentam quadro de desnutrição.

“O menino tinha problema de otorrinolaringologia e mesmo sob cuidados intensivos no Centrinho ele não se recuperou, nem crescia suficinte. A situação como essa é resultado de fatores genéticos, cuidados como alimentação, oferta de amamentação, higiene”, frisa.

Terra- Das crianças internadas no Centrinho, 6 são de Dourados. Segundo o médico pediatra coordenador da Funasa, os locais mais problemáticos donos da maior população indígena em confinamento são Porto Lindo, em Japorã, Taquapery, em Coronel Sapucaia e a região de Amambaí. São 15 crianças dessas localidades com desnutrição severa ou doenças associadas internadas no Centrinho.

A Funasa tem dois postos de saúde na Aldeia Bororó e outras duas na Jaguapiru e reúne 150 funcionários.

Recursos- A ONG Missão Evangélica Caiuá atua há 80 anos em Mato Grosso do Sul e é bastante atuante na saúde indígena. Ela foi a que angariou maiores repasses de verbas federais em 2006, e até julho de 2007. Foram R$ 15, 2 milhões no ano de 2006 e mais R$ 8.055.140,94 nos primeiros sete meses de 2007. Somados os valores são pelo menos R$ 20 milhões em verbas federais em 19 meses.

Em 2005, depois que atingiu proporções internacionais, a desnutrição e a mortalidade infantil nas aldeias indígenas da região sul do Estado, mobilizou o governo federal que reforçou programas como o Fome Zero, com a doação de 31,2 toneladas de alimentos aos indígenas. A Funasa foi apontada na época como a grande culpada pela desnutrição. O órgão montou um escritório em Dourados e realizou mutirões de saúde em todas as aldeias da região sul.

Foi possível reduzir em 62% o índice de internações de crianças, passando de 21 em fevereiro para nove em março daquele ano. O índice de mortalidade infantil indígena, chegava a 18 óbitos só nas aldeias Jaguapiru e Bororó, em Dourados.

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