2008-02-06 08:03:00
Rose Hacker, considerada a colunista mais velha do mundo, morreu aos 101 anos em um hospital de Londres após sofrer de uma rápida doença, informou nesta terça-feira a emissora pública britânica BBC.
A jornalista, reconhecida no ano passado como a colunista mais velha do mundo pelo Guinness, o livro dos recordes, publicava uma coluna quinzenal no jornal Camden New Journal (CNJ), que é distribuído no norte da capital.
Hacker começou a trabalhar no veículo em setembro de 2006, após discursar a uma multidão em Tavistock Square (centro de Londres) sobre o desarmamento nuclear por ocasião de uma homenagem às vítimas das bombas atômicas lançadas em 1945 pelos Estados Unidos sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki.
O diretor do jornal, Eric Gordon, ficou tão impressionado com o discurso energético da já centenária idosa que decidiu contratá-la para escrever no CNJ. Sua primeira coluna, que versou sobre desarmamento nuclear, como não podia deixar de ser, causou sensação no mundo jornalístico londrino.
Grandes jornais britânicos como The Guardian, The Independent, The Times ou The Daily Telegraph falaram sobre o "fenômeno Hacker". Durante sua doença no Whittington Hospital, a colunista, de aparência doce, cabelos ralos e fotografada quase sempre com um grande sorriso, recebeu muitos cartões com mostras de carinho de seus fiéis leitores.
"Desde que me deparei com seus artigos, estes enriqueceram minha vida", escreveu o leitor Alan Nelhams.
Outra fã da jornalista, Wilma Nelhams, afirmou: "(O artigo de Hacker) É o primeiro que leio quando recebo o CNJ. E envio cópias (desses artigos) a repórteres amigos de todo o mundo".
Nascida em Londres, em 1906, em uma família judia, Rose Hacker não ficou entediada durante sua longa vida, pois foi mãe, ativista, escritora, artista, estilista e, nos últimos anos, jornalista.
Na década de 1930, ela abraçou o socialismo radical após visitar a União Soviética, uma experiência lhe marcou como uma pessoa politicamente comprometida pelo resto de sua vida.
Nos anos 50 e 60, a jornalista se tornou uma das primeiras terapeutas sexuais do Reino Unido e chegou a escrever vários livros sobre a sexualidade dos adolescentes, ao mesmo tempo em que formou o chamado "Conselho de Orientação no Casamento".
Como colunista, caracterizou-se — nas palavras do agradecido leitor Jeremy Codd — por "falar com muito sentido no meio de muito barulho".








