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domingo, 10 de maio de 2026

Só 4 parlamentares da bancada federal apóiam Bonelli

2008-01-30 08:01:00

A discussão sobre a direção do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em Mato Grosso do Sul não é consenso na bancada federal do Estado, mas só quatro membros apóiam a permanência de Luiz Carlos Bonelli.

O deputado federal Vander Loubet (PT) e o senador Valter Pereira (PMDB) dividem os blocos de apoio para, respectivamente, mantê-lo ou substituí-lo na Superintendência do órgão no Estado. Ambos são da base de sustentação do governo federal.

O senador indicou o professor Flodoaldo Alencar. Até então omisso, ontem Vander reuniu o apoio do senador Delcídio do Amaral (PT) e dos deputados Antônio Carlos Biffi (PT) e Dagoberto Nogueira Filho (PDT). Os quatro subscrevem uma carta em que manifestam “o apoio irrestrito à permanência no cargo do atual Superintendente Regional do INCRA/MS, Luiz Carlos Bonelli”. (Leia abaixo a carta na íntegra).

O documento foi entregue aos ministros José Múcio (Relações Institucionais) e Dilma Rousseff (Casa Civil) e ao presidente do Incra, Rolf Hackbart.

Os petistas e o pedetista ressaltam, na carta, “o clima de tranqüilidade e paz no campo dos últimos anos em nosso Estado […] Alertamos que a possibilidade de substituição do atual Superintendente já instalou um clima de instabilidade e tensão social no campo, conforme manifestações expressas por todas as entidades dos movimentos sociais dos trabalhadores bem como de Sindicatos Rurais Patronais”.

Dagoberto justificou a assinatura da carta lembrando que representa o apelo dos produtores rurais de Mato Grosso do Sul, “que demonstram preocupação que a direção do órgão possa ser substituída”. A razão, segundo o pedetista, é que Bonelli tem conseguido avançar a reforma agrária sem invasões. “Os produtores temem uma invasão generalizada com a saída dele”, disse.

Por outro lado, o deputado federal Nelson Trad (PMDB) foi incisivo ao lembrar que a indicação de Flodoaldo foi acordada há alguns meses em Brasília (DF) com o aval de toda a bancada federal, inclusive dos quatro que subscrevem a carta. Para ele, a carta é um descumprimento de um acordo prévio.

Trad lembra que sabiam da posição inflexível do deputado Vander, mas era uma posição inflexível que não foi manifestada pelo parlamentar na ocasião. “Todos aprovaram a indicação pelas características e biografia do indicado [Flodoaldo]”, disse ainda.

O peemedebista criticou o governo federal, que sabia da indicação e que já havia concordado. “Nenhum cargo federal [de confiança] é vitalício, a mudança nos cargos não constitui um ato imoral”, lembrou.

Outros dois parlamentares defendem um entendimento, mesmo sem se posicionar explicitamente em favor de um lado ou outro. A senadora Marisa Serrano (PSDB) lembrou que como oposição não está pleiteando cargo algum. Mas, “é necessário dar um basta nisso, é preciso ter uma atitude definitiva, ou [o Bonelli] fica ou sai”, disse. Segundo a tucana, a decisão teria que ser tomada logo pelo governo federal.

“Mato Grosso do Sul não pode ficar à mercê da baderna”, disse. Mesmo sem defender abertamente o nome indicado pelo senador Valter, a senadora concorda com ele num aspecto, disse que é preciso melhorar os assentamentos no Estado, “para que não sejam favelas rurais, um antro de prostituição”, avaliou.

O deputado federal Geraldo Resende (PMDB) disse que antes de tomar posição vai se reunir com Valter, o deputado federal Waldemir Moka (PMDB) e com o governador André Puccinelli (PMDB) para discutir o assunto. “Já que a decisão deverá ser tomada dentro do partido”, explicou. Porém, Resende condenou as manifestações dos movimentos sociais pela manutenção de Bonelli, o que ele caracterizou como “chantagem social”. “A sociedade não pode ficar refém dos movimentos sociais”, disse também.

A reportagem tentou falar com o senador Delcídio e com os deputados federais Biffi, Antônio Cruz (PP), Vander, Moka e Waldir Neves (PSDB), entretanto, não conseguiu localizá-los. Com exceção de Moka, que embora localizado, disse que não podia conceder entrevista naquele momento.
Protestos

Quatro entidades realizam manifestações – interdições de rodovias federais e estaduais em Mato Grosso do Sul – desde sexta-feira (25) em favor da manutenção de Bonelli. Com trégua no fim de semana, os protestos foram retomados ontem e continuam nesta terça-feira.

São responsáveis pelas manifestações o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), a FAF (Federação da Agricultura Familiar), a Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura em Mato Grosso do Sul) e a CUT (Central Única dos Trabalhadores).

Na quinta-feira (24), dirigentes das quatro entidades tentaram equacionar o problema com o senador Valter, propondo que o parlamentar desista de indicar Flodoaldo para o Incra e o indique para a Delegacia do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) no Estado. O senador não concordou com a proposta.

Persistindo o impasse, as entidades se reuniram pouco depois na sede da Fetagri em Campo Grande e liberaram as bases dos movimentos para decidirem a melhor forma de protesto. As interdições das rodovias começaram na manhã seguinte.

Na terça o senador Valter disse que os protestos ocultam a situação precária enfrentada pelas famílias assentadas, o que chama de ‘favelização’ do campo. O MPF (Ministério Público Federal) investiga denúncias que colocam em xeque a compra de áreas para a reforma agrária feitas na gestão de Bonelli.

Leia abaixo a carta aos ministros:

Excelentíssimo Sr (a),

Cumprimentando cordialmente, vimos a presença de Vossa Excelência, na qualidade de parlamentares do Estado de Mato Grosso do Sul, manifestar o nosso apoio irrestrito à permanência no cargo do atual Superintendente Regional do INCRA/MS, Luiz Carlos Bonelli.

A permanência do Superintendente justifica-se considerando os grandes avanços obtidos da atual gestão no âmbito do programa da Reforma Agrária e em todas as áreas de atuação deste Instituto no Estado de Mato Grosso do Sul.
Ressaltamos o clima de tranqüilidade e paz no campo dos últimos anos em nosso Estado, resultado da eficiência administrativa do órgão, aceleração no processo de assentamento e regularização de áreas e pela relação respeitosa e de diálogo com todos os movimentos sociais que lutam pela terra.


Alertamos que a possibilidade de substituição do atual Superintendente já instalou um clima de instabilidade e tensão social no campo, conforme manifestações expressas por todas as entidades dos movimentos sociais dos trabalhadores bem como de Sindicatos Rurais Patronais.
Queremos manifestar a Vossa Excelência um gesto de solidariedade ao Superintendente Luiz Carlos Bonelli que reconhecidamente promoveu o maior programa de reforma agrária que este Estado já teve, e nos juntamos aos movimentos sociais de Mato Grosso do Sul pela sua permanência.

Contando com o apoio e consideração de V. Excia, reafirmamos o nosso compromisso político com a Reforma Agrária, a paz no campo e o desenvolvimento pleno do Estado de Mato Grosso do Sul.
Campo Grande, 28 de janeiro de 2008

Atenciosamente.

VANDER LOUBET
Dep. Federal /PT

DELCIDIO DO AMARAL GOMES
Senador da República/PT

DAGOBERTO NOGUEIRA
Dep. Federal/PDT

ANTÔNIO CARLOS BIFFI
Dep. Federal/PT

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