2008-01-29 21:34:00
O pistoleiro Antônio Clébio Rodrigues, 44 anos, vulgo “Cigano” ou “Negão”, acusado de várias mortes em Ponta Porã e outras regiões da fronteira foi preso na noite de ontem pela Polícia Nacional do Paraguai na cidade de Yby Yaú, a 100 quilômetros de Ponta Porã.
‘Cigano’ trafegava num veículo Gol de cor branca, placas paraguaias, quando foi interceptado pela polícia. Em poder do pistoleiro os policiais paraguaios encontraram um verdadeiro arsenal de armas e munições. Ao perceber a presença policial, ‘Cigano’ tentou destruir um jornal que levava e que tinha reportagem sobre ele.
Antônio Clébio apresentou documentação paraguaia, inclusive o de imigração e um documento de Interpol (Polícia Internacional) de que não havia qualquer acusação contra ele. As autoridades suspeitam que o documento seja falso. A Polícia Civil de Ponta Porã foi informada da prisão, encaminhou ao vizinho país cópia do mandado de prisão e pediu sua extradição.
Em 2006 ‘Cigano’ foi apontado por testemunhas como autor de uma série de execuções, como as do lavoureiro Geraldo Matheussi e seu filho, o professor Denílson Matheussi, 41, aparentemente por causa de uma dívida de R$ 7 mil, registrada no dia 9 de janeiro de 2006.
O próprio ‘Cigano’ teria pilotado a motocicleta, segundo a polícia, e atirou nas vítimas, mas havia um segundo elemento na garupa, que ainda não foi identificado. Também foi creditada a Antônio Clébio a autoria do assassinato do motorista e cobrador Moisés Espíndola Atanázio, 40 anos, ocorrido no dia 7 de março de 2006.
O crime aconteceu a menos de 50 metros da Delegacia Regional de Polícia Civil de Ponta Porã, do 1º Distrito Policial e da sede do SIG (Serviço de Investigações Gerais). Moisés estava de capacete e trafegava em sua motocicleta por volta das 8h30m no cruzamento das ruas Rio Branco e Santo Ângelo.
Na esquina, onde também está a sede da Justiça do Trabalho, a vítima foi alcançada e fuzilada com pelo menos dez tiros de pistola, possivelmente calibre nove milímetros. Outra morte, do final de março de 2006, praticada por dois homens em uma moto com as mesmas características de ‘Cigano’ também está na lista de crimes.
Na ocasião, foi assassinato a tiros o motorista Silvio Camargo da Silva, 42 anos, que residia à Rua Arnaldo Moreira, no Jardim Boa Vista e seria agiota. Na hora do crime ele estava acompanhado da esposa e de um filho menor, que estava sendo levado para a escola. Foi executado com pelo menos cinco tiros de pistola
Na seqüência, outras duas execuções mobilizaram a polícia e novamente colocaram Antônio Clébio na lista da polícia, conforme levantamentos divulgados pelo SIG. A dona de uma agência de turismo foi morta a tiros, supostamente por causa de uma dívida de R$ 200 com ‘Cigano’.
No dia 6 de abril pistoleiros executaram em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, o paraguaio Bernardo Villalba. Dois homens chegaram de motocicleta e dispararam vários tiros de pistola, possivelmente calibre 9 milímetros, contra a vítima, que morreu no local.
No dia 14 de abril, dois homens em uma motocicleta mataram a tiros Charles Luís Lorenzano, de 25 anos, na área central de Ponta Porã, na linha internacional e depois fugiram para território paraguaio.
Dia 2 de maio de 2006, um domingo, em pleno dia, dois homens armados esperaram durante horas e ao perceberem que a sua vítima não aparecia a um bar do bairro Coophafronteira, foram à casa do ex-garçom Antônio Carlos de Souza, 29 anos, o “Pastel” e o executaram com pelos menos quatro tiros.
Antônio Carlos era primo do ex-secretário estadual de Gestão Pública, Ronaldo Franco, que foi também secretário de Governo e Comunicação em Ponta Porã entre 2001 e 2003. De acordo com a polícia, populares reconheceram um dos pistoleiros como sendo Antônio Clébio, o ‘Cigano’.
Em outra ação, no final do mês de março do ano passado, o contabilista João Espíndola, de 25 anos, foi morto a tiros em frente ao Colégio Batista. Segundo informações o homem entrou na contra-mão sendo perseguido por dois pistoleiros em uma motocicleta, que atiraram nele e o mataram.








