2008-01-28 19:01:00
Vilson Nascimento
Após pelo menos nove horas de bloqueio e uma breve negociação com o comando da Polícia Militar de Amambai, cerca de 300 agricultores sem-terra ligados a FAF (Federação da Agricultura Familiar) e a Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura) liberaram, por volta das 15h dessa segunda-feira (28), o trânsito na rodovia MS 156, trecho que liga Amambai a Tacuru sem entrar em confronto com a polícia.
A rodovia estadual foi bloqueada pelos manifestantes por volta das 6h da manhã dessa segunda na altura do “Acampamento Cachoeira”, quilômetro 30 entre Amambai e Tacuru e de tempo em tempo os sem-terra liberavam o tráfego para os veículos que já estavam parados há algum tempo na barreira na pista, que foi montada com pedaços de madeira, faixas e pessoas.
A manifestação dos agricultores, que se estendeu para várias rodovias do Estado, em alguns locais como na BR 163 em Anhanduí, a 50 quilômetros de Campo Grande, inclusive resultando em confrontos entre manifestantes e policiais, tinha por objetivo pressionar as autoridades para manter no cargo, o atual superintendente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em Mato Grosso do Sul, Luiz Carlos Bonelli, tendo em vista que informações dariam conta que estaria havendo uma movimentação para destituí-lo do cargo, medida essa rejeitada pelos manifestantes que alegam ter no superintendente, um “companheiro” na luta pela reforma agrária em Mato Grosso do Sul.
Ações começaram semana passada- As ações dos agricultores sem-terra em defesa de Bonelli tiveram início na sexta-feira, dia 25 quando vários trechos de rodovias estaduais e federais acaram bloqueadas em Mato Grosso do Sul, inclusive a própria MS 156 que ficou por cerca de 7 horas com o trânsito paralisado nos dois sentidos da via e na ocasião a manifestação foi suspensa, também após diálogo entre PM e sem-terra, após o anúncio do envio, para o local, de 60 homens da Polícia Militar de Amambai e Ponta Porã para desobstruir a pista fazendo o uso da força, se necessário.
Desbloqueio de segundo- Nessa segunda-feira (28) a iminência do emprego da força para liberar o trânsito na rodovia estadual foi mais real e as tropas, cerca de 45 homens lotados na 3ª Companhia Independente de Polícia Militar de Amambai, com apoio de policiais rodoviários estaduais chegaram a tomar posição na pista da rodovia, a cerca de 150 metros dos manifestantes para uma eventual desobstrução da rodovia à força.
Armados com cassetetes, bombas de efeito moral e armas com balas de borrachas, os policiais entraram em formação em linha e até uma equipe do Corpo de Bombeiros de Amambai chegou a se colocar de prontidão no local para socorrer os feridos, em caso de um eventual confronto, mas o diálogo prevaleceu.
Com a chegada das tropas no local, por volta das 14h50 e ordens explicitas para desobstruir a rodovia, o comandante da operação, capitão PM Jidevaldo de Souza Limam, comandante da 3ª Companhia Independente de Polícia Militar de Amambai, acompanhado pelo comandante da Base Operacional da Polícia Militar Rodoviária Estadual (PRE) de Amambai, Subtenente Luiz Gonzaga, procurou os líderes da manifestação e após explanar os prejuízos que um confronto provocaria para ambas as partes, com pessoas feridas e inclusive prisões efetuadas, o comandante PM deu um prazo de 10 minutos para uma decisão final.
Após uma breve reunião entre as lideranças os manifestantes optaram pela desobstrução da rodovia e liberação do tráfego sem violência.
Manifesto surtiu efeito, diz sem-terra- Para as lideranças dos movimentos de agricultores sem terra apesar da pista ser liberada antes do prazo previsto inicialmente, a manifestação, não só em Amambai, mas em todos os locais onde ocorreram os bloqueios de rodovias, surtiram o efeito desejado, que foi chamar a atenção, segundo eles, da imprensa e das autoridades para a importância da permanência de Bonelli frente ao Incra para o andamento da reforma agrária no Estado.
PM comemora liberação da rodovia sem confronto- Para a Polícia Militar a liberação da rodovia sem precisar empregar a força foi uma vitória.
“Felizmente prevaleceu o diálogo, mas se fosse necessário empregar a força estávamos preparados”, disse o comandante da operação, capitão Souza Lima.
Todo o efetivo da 3ª CIPM de Amambai estava mobilizado desde a sexta-feira, quando houve o primeiro bloqueio da pista e nesse período os policiais chegaram, inclusive, a realizar treinamentos técnico, caso fosse necessário entrar em ação.










