2008-01-18 12:28:00
Eu avisei! – No final de 2007, escrevi nesse espaço que o Governo não iria sossegar e tentaria criar um novo imposto para substituir a famigerada CPMF com outra denominação. No primeiro dia útil deste ano, os dois ministros sabujos do presidente anunciaram um “pacote” de aumento de impostos que indignou a população, pois quebrava uma promessa do próprio presidente da República, na verdade um notório mentiroso e vivaldino. Não satisfeito, o Governo, sobretudo o presidente Lula, ainda não se conformou com a derrota no Senado quando derrubaram a CPMF e passou a considerar indispensável o aumento dos gastos no setor da saúde, setor, diga-se, para o qual ele nunca deu a menor atenção. Para isso, o Governo vai estimular, nos bastidores, iniciativas de deputados e senadores de sua base para criação do novo tributo. Ao mesmo tempo, a área econômica adotará a estratégia de não liberar recursos adicionais para a saúde este ano, de forma a induzir os parlamentares a lutar pela criação de um tributo que possa custear o aumento de gastos na área. A estratégia pode ser resumida numa frase: se os parlamentares querem mais dinheiro para a saúde, devem criar uma nova fonte de recursos.
O Governo não pretende se comprometer, diretamente – e quando é que quis? -, com a defesa de um novo imposto para a saúde, depois do desgaste que sofreu com a batalha perdida em torno da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira. A verdade é que o Governo Lula preocupa-se apenas com o marketing feito em cima das chamadas “obras sociais”, o “vale esmola” que rende dividendos eleitorais. Enquanto isso, a saúde, a educação e principalmente a segurança vão de mal a pior. Aliás, o Governo não se cansa de usar a saúde para enganar a população e os otários acreditam. Vote neles!
Dirceu, o safado vaidoso – Como prometido, vou reproduzir algumas pérolas pescadas na matéria do Zé Dirceu feita pela repórter Daniela Pinheiro publicada na revista piauí deste mês. Quanto à matéria em si, revela um retrato mui curioso de Dirceu em nababescas viagens pela Europa e República Dominicana exercendo a arte que o fez famoso entre seus pares. A de fazer amigos e influenciar pessoas. Sobretudo amigos e pessoas que lhe possam trazer lucro e benefícios, sejam em forma de mordomias ou benesses. Zé Dirceu com o rosto bem apanhado que plásticas e cremes conservaram é imune a cupins. Sua cara de pau é maciça. Nada a corrói e ele se vê, vaidoso, diante de espelhos como a um príncipe maquiavélico que acaba de transplantar 6.710 fios de cabelos. Dirceu é inteligente, inegavelmente. Inteligente e cínico a ponto de escolher interlocutores e entrevistadores conforme queira soltar seus factoídes ou impressionar certas platéias. Como Dirceu não é de “dar nó em pingo d’água”, é melhor acreditar que ele esteja mandando recados para alguém. A excelente Daniela Pinheiro narrou o paradisíaco roteiro de trabalhos e negócios do consultor e sem muitos adjetivos parece não ter acreditado nele. Mas o fato é que ele terá que se explicar a respeito de declarações como a de que a sede do PT gaúcho foi construída só com “dinheiro de caixa dois”, com “mala de dinheiro”. O governador, à época, era Olívio Dutra. “A gente estava com eles, não os abandonamos em nenhum minuto”, diz Dirceu, numa clara confissão da conivência do PT nacional. Sobre a presidente do PSOL, Heloisa Helena, que votou contra a cassação do ex-senador Luiz Estevão (DF): “Votou mesmo e por motivos impublicáveis [dizem que ela teve um caso com o Luiz Estevão]. Mas nunca a deixamos sozinha, defendemos o tempo todo, mesmo sabendo que a história era diferente. Depois, olha o que fazem”. Sobre o mensalão: “Esse pessoal [ele está falando dos petistas] é assim. Chegava para o Delúbio e falava: ‘Delúbio, preciso de 1 milhão’. Como é que alguém vai arrumar esse dinheiro assim, de uma hora para outra? Aí, quando não recebiam o dinheiro, diziam que estavam sendo preteridos porque eram de uma outra corrente, de uma outra ala, que a direção era autoritária. O pobre do Delúbio tinha que ir aos empresários conseguir doações. Aí, estoura o mensalão, e esse pessoal vem dizer que o Delúbio era o homem da mala. O que não dizem é que a mala era para eles”. A reportagem também traz alguns percalços que Dirceu passa em público como quando numa churrascaria um rapaz jovem de aproxima de Dirceu, enquanto este come um pedaço de cupim, e manda ver: “Seu safado, safado, SA-FA-DO”. Isso com a mão em seu ombro, dito ao pé do ouvido, mas alto, para toda a churrascaria ouvir. A namorada de Dirceu ainda tenta tirar satisfações. E ouve: “E você também é uma safada por estar com um safado desses”.










