2008-01-17 23:32:00
Considerando o Produto Interno Bruto do Estado em 2005, cada morador de Mato Grosso do Sul tem patrimônio médio de R$ 9,5 mil. Partindo desse número, seriam necessários nada menos que 236 anos de trabalho para um cidadão comum atingir o valor de R$ 2,2 milhões – equivalente ao patrimônio médio dos 24 parlamentares sul-mato-grossenses.
A constatação faz parte do estudo “Como são nossos parlamentares”, elaborado pela organização não-governamental Transparência Brasil – a partir do projeto “Excelências”. O levantamento traz um perfil das Casas de Leis brasileiras, apontando fatores como o custo do Poder Legislativo por morador da unidade federativa, custo eleitoral dos políticos e total de processos na Justiça ou Tribunal de Contas, dentre outros fatores.
Entre as Casas de Leis, o patrimônio per capita dos deputados estaduais sul-mato-grossenses é o terceiro maior do País – atrás do Pará, onde são necessários 356 anos de trabalho de cada paraense (que teve PIB per capita de R$ 5.617) e do Maranhão, onde a relação é de 256 anos para alcançar o patrimônio de um parlamentar (PIB de R$ 4.150).
A relação do patrimônio com o PIB per capita estadual decai à medida que se “evolui” o cargo ocupado pelo parlamentar. O patrimônio médio dos oito deputados federais chega a R$ 832.661, demandando “apenas” 87 anos de poupança para que um sul-mato-grossense atinja tal nível de riqueza. O patrimônio médio declarado dos três senadores é mais modesto: R$ 322.447, ou pouco menos de 34 anos de arrecadação do PIB.
Custo eleitoral – A eleição de cada deputado estadual no Brasil, em 2006, custou R$ 4,20 para cada brasileiro, conforme a Transparência Brasil. O valor foi atingido dividindo-se o total aplicado nessas campanhas, de R$ 566 milhões, para os 133 milhões de votos contabilizados.
Porém, o voto do sul-mato-grossense foi supervalorizado nessa conta: as receitas aplicadas pelos candidatos na eleição chegaram a R$ 17.831.039, para pouco mais de 1,84 milhão de votos – relação “custo-benefício” de R$ 9,70, a quarta mais alta do País, atrás do Amapá (R$ 12,60), Alagoas (R$ 19,10) e Roraima (R$ 37,30).
Para a Câmara dos Deputados, o “preço médio” do voto foi de R$ 4,80 – resultado da divisão dos R$ 253 milhões gastos em campanha para os 52,6 milhões de votos captados. Novamente, o voto do sul-mato-grossense aparece acima da média nacional: R$ 7,40 (R$ 4,72 milhões em receita para 639,1 mil votos), o sétimo do País, perdendo apenas para Espírito Santo, Goiás, Acre, Tocantins, Amapá e Roraima (neste último o custo do voto chegou a R$ 13,90).
A relação para se eleger os 81 senadores (levando-se em consideração dados de 2002 e 2006) contabiliza R$ 80 milhões gastos em campanha para 122 milhões de votos, um custo médio de R$ 0,66. No Estado, a relação foi a segunda mais baixa do País. Em suas campanhas, os senadores gastaram R$ 4,3 milhões para pouco menos de um milhão de votos – e um custo de R$ 0,16 per capita na campanha.











