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quarta-feira, 6 de maio de 2026

MS e SP elaboram projeto de rastreabilidade bovina

2007-12-05 22:26:00

Campo Grande (MS) – O Estado de Mato Grosso do Sul, através da secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo (Seprotur), recebeu apoio do Estado de São Paulo para o desenvolvimento de um sistema de identificação e rastreabilidade bovina. A informação foi dada nesta segunda-feira (3), pela secretária da Seprotur, Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias.  


 Segundo a secretária Tereza Cristina, a iniciativa também conta com a participação de todos os representantes da cadeia produtiva da pecuária, e sua intenção, proposta pelo governador André Puccinelli, é de criar um sistema de rastreabilidade próprio, dentro da realidade da pecuária sul-mato-grossense, factível e perfeitamente auditável. Tereza afirma que o projeto recebeu apoio imediato do governador de São Paulo, José Serra, e desde então, ambos os estados trabalham na proposta de um novo modelo de rastreabilidade que possa ser efetivamente aplicado e atenda as exigências internacionais.


 Modelo próprio


Para o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), Laucídio Coelho Neto, é preciso criar um sistema de rastreabilidade conectado com a realidade social, econômica e fundiária. Ele afirma que quando se  fala em rastreabilidade, temos que abrir os horizontes para outros modelos e não ficar atrelados unicamente no modelo do Sisbov (Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos), proposto pelo Ministério da Agricultura.


“Outros estados já estudam alternativas para a rastreabilidade”, destaca, lembrando que iniciativas já estão sendo aplicadas no Paraná e em Santa Catarina. De acordo com o presidente da Acrissul, o modelo de rastreabilidade adotado pelo governo brasileiro nasceu na França. Contudo, as exigências foram criadas para outro fim, não para garantir sanidade animal, mas para controlar os subsídios agrícolas direcionados à pecuária daquele país.


  “Cada produtor na França recebe anualmente US$ 500 por animal como forma de subsídio, e o sistema controla estes recursos. No Brasil, uma vaca vale US$ 300 durante toda sua vida; como podemos manter um modelo assim?”, questiona, lembrando que o desafio é fazer um sistema de rastreabilidade que atenda às limitações e condições brasileiras.


 “Temos estes dois estados discutindo e unidos em uma tentativa de fazer nascer um sistema novo, e os criadores do Estado, desde o primeiro momento, estão ao lado desta iniciativa”, conclui.


Modelo Catarinense


Nesta terça-feira (4), o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, lançou o modelo de seu estado que terá um processo de identificação do rebanho através de brincos, com informações visuais e eletrônicas, colocados no gado para assinalar e assegurar as condições sanitárias e a rastreabilidade dos animais. Ele assegurou que até meados de 2008, estarão cadastrados cerca de 3,5 milhões de animais.O processo catarinense pretende garantir segurança e qualidade dos produtos pecuários daquele Estado, e ascende a discussão sobre a criação de um modelo adequando a realidade brasileira. No entanto, o modelo irá incluir os dados do rebanho no (Sisbov).


.Modelo em cheque


A recente visita de uma missão da União Européia vem causando preocupação com relação ao relatório final, principalmente em torno do que precisa ser aprimorado no sistema de produção e rastreabilidade bovina. O assunto foi abordado na última reunião da Câmara Setorial da Carne Bovina do Estado de São Paulo, maior consumidor da carne sul-mato-grossense.


Estiveram reunidos, na última quinta-feira (29/11), na capital paulista, entidades federais, estaduais, representantes de associações pecuaristas e das indústrias exportadoras de carne acompanharam o encontro.Para tentar sanar as deficiências, diversas propostas de melhorias e de reformulação total no atual sistema foram apresentadas. Entre as sugestões, o maior rigor na aplicação de sanções às certificadoras, e o reaparelhamento da defesa animal do Estado. O ponto em comum entre as opiniões foi a importância de uma solução viável de rastreabilidade a todos, tanto para os frigoríficos e grandes pecuaristas, quantos para os médios e pequenos criadores, mais suscetíveis ao aumento nos custos de produção.

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