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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Opinião: “ecoa um grito branco de s.o.s”

2007-11-27 12:44:00

Eu, para início desta matéria,  invoco o Artigo quinto  da Constituição da República Federativa do Brasil, que reza em seu bojo, que “todo o cidadão é igual perante a lei”. Transcrevo-o aqui:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;  
 

Sinto-me nesse direito, pois nesse país sou nascido, sou pai, marido, proprietário, produtor rural ( por enquanto) e contribuinte de impostos,  que não são poucos, diga-se de passagem.
Há algum tempo, veiculei aqui, uma matéria intitulada “Um grito sem cor”, salientando e denunciando aberrações e desmandos  que campeiam desenfreados em nossos campos  por aí, mas clamando por paz e harmonia e pregando contra a segregação, o divisionismo de raças e de filosofias. Sempre, como direção de um Sindicato Rural, missão que nos foi outorgada pelo voto,  conclamamos ao longo do tempo de labuta  para os nossos concidadãos e associados, que sempre agissem dentro da lei, da ordem pública, do respeito mútuo, respeitando o direito de ir e vir das pessoas e o  zelo ao patrimônio público e privado e pelas autoridades constituídas. Isso não se trata de retórica, e sim de pronunciamentos públicos em discursos e palestras  ou em  mensagens, outrora endereçadas à população em geral.  Todavia, os atropelos e safadezas surgem  como se não tivéssemos lei, como se não tivéssemos direitos civis, como se não existissem os direitos de propriedade, e como se a população branca fosse um lixo, subjugada, escrava da própria cor e da sua condição social, e a única a dever total obediência à lei, enquanto outras etnias podem a seu bel prazer, organizadas e geridas por uma marginalia branca das mais terríveis, que agem dentro da toca,  de tocaia, às escondidas, com medo de mostrar os seus narizes e seus olhos traiçoeiros, fazerem aquilo que bem entendem, ou  que lhes venha à cabeça, à revelia da lei e da ordem.

Não aceitamos enquanto produtores e cidadãos, em hipótese alguma, qualquer tipo de invasão, seja de índios, seja de brancos, amarelos, pardos, ou de quem quer que seja.

Nesse país está se criando, dia após dia, uma casta de cidadãos sem deveres, mas com uma armadura, que lhes permite transgredir das mais diversas maneiras a constituição, a lei, a ordem, regulamento os costumes e não responderem pelos seus atos. Uma casta que é tutelada, mas que vota, o que é extremamente antagônico, e ainda, uma outra casta que se esconde por trás desta, mantida com altos salários à custa do suor e do sangue do já exaurido povo brasileiro, para manipular etnias, organizar invasões, seja em propriedades públicas ou privadas, mas que sempre desaparecem na ordem do dia, agindo  como meras sombras covardes que se arrastam nos bastidores da marginalidade.

Já chegamos ao cúmulo, de termos cidadãos desse município, produtores rurais,  para terem suas terras desocupadas por indígenas e devolvidas aos seus legítimos donos, terem  que oferecer um certo número  sestas básicas aos mesmos, e ainda, posteriormente,  ao final, serem recebidos à bala e flechas  pelos mesmos, quando transportados e devolvidos  à sua aldeia. Foi esse o atentado que sofreu o Presidente deste Sindicato Rural de Amambai, atentado contra a sua vida, quando estava na verdade, negociando posições tentando suprir deficiências do nosso sistema, aonde na verdade tudo se fala, mas quase nada se faz. Ainda tivemos uma pessoa espancada com gravidade pelos indígenas.
Eu pergunto em sã consciência às minhas autoridades, sobre o que acontece com um grupo de brancos quando invadem uma rodovia? Com estudantes quando invadem uma reitoria ou um prédio público? Sabemos da resposta: é cassetete, balas de borracha, bombas de efeito moral, é paulada e salve-se quem puder…, policiamento especializado e tudo o mais, e ao final, muitas prisões e processos.

O que acontece com as invasões de propriedades privadas, por  indígenas e por “sem terra” espalhadas por esse país, e que vem se arrastando nos últimos anos? Respondam-me os senhores, apesar de eu já saber da resposta.

O pior disso tudo, é sabermos que tutelados usam armas de fogo, enquanto um cidadão branco, plenamente  responsável e quites com as suas obrigações civis, enfrenta a maior das dificuldades e uma tremenda burocracia para conseguir um porte de arma. Estamos mergulhados totalmente numa sociedade de inversão de valores.

Por isso essa matéria foi assim intitulada, “Um grito branco de S.O.S” pois não podemos arcar como um pecado  ou  mácula existencial ,  o fato de sermos brancos. Não aceitamos, sobretudo,  enquanto produtores que somos,   a leviandade veiculada por certas  mídias burras e inconseqüentes, que  insistem em nos tachar  de   “depredadores”,  devastadores, fomentadores da miséria, latifundiários insensíveis, ora magnatas, ora bandidos , pelo simples fato de levarmos com muita seriedade, aquilo que desenvolvemos, e defendermos com a nossa própria vida, se preciso for,  o pedaço de chão que escolhemos.

A nossa única diferença é a profissão, pois escolhemos um dia, a triste vocação de produzirmos alimentos e alimentarmos a humanidade, lutando com a natureza, produzindo alimentos, inclusive, para  essa fatia marginal que nada soma a esse país e ao planeta. Uma profissão, uma atividade  que a nosso ver e pela ótica de muitos cidadãos de bem,  deveria ser imensamente respeitada e protegida pelas autoridades constituídas deste país, pela importância e pela seguridade social que insere em seu bojo, mas que, verdadeiramente,   é tratada, amiúde,  com certa morosidade e  freqüente discriminação. 

Talvez, nós produtores, já cansados de sermos os escudos de uma realidade torta, e de certos setores da sociedade que insistem em não ver o óbvio, façamos das palavras de Geraldo Vandré, o nosso refrão: “Vem, vamos embora que esperar não é saber”.
 
Claudio Luis Agostini

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